Meus amigos inventaram de surfar na Inglaterra

Meus amigos inventaram de surfar na Inglaterra

Em abril deste ano, há cerca de sete meses, minha vida recebeu uma das maiores reviravoltas até o momento. Havia acabado de me formar em Jornalismo e me inscrevi, como quem não quer nada, para uma vaga de estágio no Hostelworld de Londres, bem naquela vibe “a tentiada é livre”, pois nunca achei que seria selecionada. Era preciso mandar um vídeo e, admito, a preguiça foi grande, quase desistindo várias vezes. No entanto, fiz, mandei e, algumas semanas depois, recebi um email de uma tal de Laura dizendo que euzinha havia sido selecionada para a primeira fase da seleção.

Ao ver o email, meu coração já acelerou e eu fiquei sem chão. Quanta gente tinha se escrito para aquele negócio e, entre todas, ela estava mandando um email para mim? Após as tarefas e entrevistas por vídeo do processo seletivo, a Laura me mandou outro email dizendo que eu tinha sido selecionada para a vaga. Se eu desejasse o emprego, tinha cerca de 20 dias para me mudar para Londres e começar o programa de estágio. Disse que SIM alguns minutos depois e comecei a, além de surtar, procurar a passagem mais barata possível.

Um pouco mais de duas semanas depois do email que mudou a minha vida, aqui estava eu, em um mega escritório em Londres, conhecendo pessoas do mundo inteiro e desenferrujando meu inglês. Junto de mim entraram outros 7 estagiários, um de cada um dos nossos principais mercados: Alemanha, América do Norte, Austrália, Espanha, França, Itália e Reino Unido. Então começaram os meses de muito trabalho, risadas e, é claro, planejamento de viagens.

Surf na Inglaterra?

Para mim, sendo brasileira, surfar não é algo de outro mundo. Em muitas praias brasileiras, aulas de surf são oferecidas, mas, na maioria das vezes, quem faz essas aulas são crianças. Parece simplesmente natural uma criança brasileira que tem acesso a praia tentar surfar em algum momento . Eu tive essa experiência, muitos anos atrás, e não diria que foram os momentos mais divertidos da minha infância. Após algumas pranchadas na cabeça, decidi aposentar meus talentos do surf.

Quando começaram a surgir planos de uma “surf trip”, me animei por um único motivo: o mar. Não estava nada interessada nas aulas de surf, mas poucas coisas me fazem mais felizes do que olhar para o mar. Sinto uma certa conexão com essa força da natureza e só de estar perto dela já me sinto melhor. Claro que a parte de sentar na areia, tomar banho de sol, ler um livro, tomar uma caipirinha… não se faria presente nessa surf trip, porém, mesmo assim, queria ir só para estar novamente perto do mar. O destino pensado era Newquay, praia localizada no condado de Cornwall, sudoeste da Inglaterra.

Sarah, Linda e eu na Fistral Beach 📷 ericsandstrom

Organizar viagens em grupo é um parto. Muito falavam e falavam em ir e nunca ninguém fazia algo decisivo. Então, um dia, enquanto estava visitando uma amiga em Lisboa, recebi uma mensagem falando: “Vamos comprar, compro para ti?”. Eu disse “Compra!” e então, finalmente, tínhamos tíquetes. Eu, a Linda (italiana), a Sarah (alemã) e o Eric (canadense) iríamos de ônibus e voltaríamos de trem (pois estagiários tem que economizar em cada detalhe) e levaríamos malas e mais malas de casacos para suportar o esperado frio horroroso que uma cidade litorânea na Inglaterra proporciona nessa época do ano.

O ônibus

Poucos lugares na Europa são tão desorganizados quanto a Victoria Coach Station. É sério. Mais de um ônibus por portão, funcionários que gritam o nome do bus embarcando no momento, turistas quase sendo atropelados por ônibus enquanto esperam na fila, um sistema de conferir o tíquete que simplesmente não existe, ônibus que nunca saem no horário, pessoas por tudo, malas por tudo… Juro que nenhuma rodoviária que eu já utilizei no Brasil (de cidades pequenas ou capitais) é tão desorganizada. Em Portugal também tive experiências bem ruins em rodoviárias e o ônibus Londres-Paris é uma das coisas mais desorganizadas da história. Então aí vai um ataque ao nosso eterno complexo de vira lata: nossas rodoviárias são melhores que as da Europa!

Centrinho da cidade no nascer do sol  📷 iamigerbase

Mas bem, lá estávamos nós quatro, prontos para o delicioso ônibus pinga pinga de 7h horas que nos levaria até Newquay, chegando lá um pouco depois das 6h da manhã. Eu já havia viajado com essa companhia e não sei bem o que me deu quando eu aceitei pegar um ônibus noturno dela. São os menores bancos de ônibus que eu já vi na vida. Eu, com 1,75 m de altura e essa altura sendo 80% pernas, fico esmagada, sendo a distância entre meu joelho e o banco da frente um pouco mais de 3 cm. Para completar, não estávamos sentados juntos, então aquela sonequinha no ombro do amigo não era uma possibilidade.

As energias do universo, porém, ouviram meus pedidos e sabiam o quão sofrido seria esse trajeto caso minha situação de assento continuasse aquela. Em uma das primeiras paradas, a única pessoa a sair do ônibus foi a senhora que estava sentada em meu lado. É aquele momento de viajante em que você fica tão feliz que não sabe se é verdade. Lá se foi ela, veio espaço e, junto, o sono por quase todo o período da viagem.

A chegada e o hostel

Ao chegar, um frio inacreditável. Conseguíamos escutar as gaivotas ao longe e o cheiro do mar, porém a temperatura definitivamente não me deixava sentir “estou na praia”. Vamos em direção ao hostel e, no meio do caminho, o nascer do sol começa a se anunciar para nós. Depois de alguns passos, lá estava, o mar, visto de cima, cercado por montanhas. Sentamos em banquinhos, colocamos mais camadas de roupa e apreciamos aquele momento. Fazia tempo que não via um nascer do sol.

Nascer do sol 📷 ericsandstrom

Após aquele momento, deixamos as malas no hostel St Christopher’s Inn Newquay, nossa morada pelas próximas duas noites.

Nunca vi um hostel como esse. As mesas do bar e restaurante ficam ao lado de janelas enormes com vista para o mar, a praia e as montanhas. Em nosso quarto, a mesma vista. Além de um café da manhã que pode ser deliciado apreciando essa vista, um restaurante e bar que fica animadíssimo à noite, com viajantes de todos os lugares do mundo.

Fachada e destaques do hostel St Christopher’s Inn Newquay

Explorando Newquay

O centrinho de Newquay é muito charmoso e acolhedor. Com suas colinas e construções tipicamente inglesas, com certeza não lembra nenhuma praia brasileira que eu costumo frequentar. Muitas cafeterias, restaurantes e bares, estúdios de tatuagem, lojas de souveniers, confeitarias das famosas cornwall pasty e, é claro, pelo menos um com uma temática meio brasileira e uma foto de um gatinho saindo de uma capirinha.

Cavernas na Towan Beach 📷 ericsandstrom

Eu e um dogo na nossa longa caminhada pela península de Fistral Beach 📷 ericsandstrom

Uma das coisas mais legais de fazer em Newquay é explorar as cavernas e montanhas. É um cenário bem diferente do litoral brasileiro, então é, no mínimo, interessante. Pertinho do centro

A aula

Quando marcamos essa viagem, pensávamos que seria era frio, chuva, água congelante, vento… Afinal, era o litoral da Inglaterra em final de setembro. E era isso mesmo que queríamos, uma história de superação e surf em condições desafiadoras. A previsão já estava acabando com essa ideia e, enquanto meus amigos reclamavam, uma esperança de “praia de verdade” crescia dentro de mim. Já me imaginava de biquini na beira da praia, tomando um gin and tonic.

Os três felizões no mar 📷 iamigerbase

Não foi para tanto, mas foi perto. Os dois primeiros dias foram de sol intenso. A temperatura era baixa e não chegamos a ficar só de camiseta pegando sol, porém quente o bastante para pôr os pés na areia, molhar eles na água.

Chegada a hora da aula de surf. Depois de 20min para colocar os neoprenes, que eram realmente muito grossos, eles pegam suas pranchas e caminhamos para a praia. Eu sempre de longe, registrando, fazendo stories para o Instagram (que estão nos destaques de nossa conta!).

Linda em uma de suas tentativas de sucesso 📷 iamigerbase

As ondas eram, para dizer o mínimo, level 0,5 de dificuldade. Alguns brasileiros diriam talvez até uma marolinha. Mas para surfistas de primeira viagem estava bom o bastante.

Fique na beira do mar com as calças arregaçadas até os joelhos, uma câmera gigante na mão, o celular na outra, fones de ouvido, óculos de sol. Assim fiquei 1h30, de pé, fazendo stories e tirando fotos. Rindo muitas vezes claro dos tombos, tentando me comunicar, gritando palavras de incentivo.

 

No final das contas, foi uma surf trip quase brasileira, com bastante sol e risadas. É, com certeza, um passeio diferente para se fazer na Inglaterra.

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Sobre o Autor

Iami Gerbase (Hostelworld)

Hi! My (weird) name is Iami and I'm a Brazilian journalist tired of hearing "You don't look Brazilian". I love to taste street food, read at the beach and watch Naked and Afraid. 🌏 Favourite place on earth: Praia de Palmas, SC, Brazil. 🏠 Favourite hostel: Bananas Bungalows, Krabi, Thailand. You can follow my travels on Instagram: @iamigerbase.

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