O que fazer no Chile: o guia essencial para o seu mochilão

O que fazer no Chile: o guia essencial para o seu mochilão

Lagos de águas cristalinas, glaciares imponentes, montanhas nevadas, desertos de paisagens lunares, praias com areia vulcânica… Espremido entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes, o Chile apresenta ao longo de seu estreito território centenas de paisagens de tirar o fôlego. De ponta a ponta, de norte a sul, de Arica a Punta Arenas, o Chile surpreende, instiga e fascina os viajantes que decidem desbravá-lo.

Conhecer os principais destinos do país numa tacada só exige tempo, pelo menos uns três meses de viagem. Mas você pode descobrir o país de pouquinho a pouquinho: planejar uma viagem para a Patagônia, outra para os Lagos Andinos, outra para o Atacama… sempre com aquela paradinha na cosmopolita Santiago, rodeada por vinhedos e estações de esqui, ou então montando um roteiro pelos países vizinhos.

A seguir, vamos contar para vocês o que é necessário saber para começar a organizar sua viagem por esse fantástico país e apresentar as cidades que merecem a sua visita.

Índice de tudo que você precisa saber

Informações práticas

💰Moeda

No Chile, a moeda utilizada é o peso chileno (CLP), com notas de 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 pesos e moedas de 1, 5, 10, 100 e 500 pesos. No dia a dia, os chilenos chamam cada mil pesos de luca. Então se você vai comprar uma cerveja de 2.000 CLP, por exemplo, ela custará “dos luca”, assim, no singular mesmo.

Um real é equivalente a aproximadamente 185 pesos chilenos, mas esse valor costuma oscilar frequentemente. A forma mais fácil para você ter uma ideia de quanto tá gastando é considerar a cotação em 200 e sempre dividir o valor total em pesos por esse número (para calcular rápido, tira os zeros e divide por dois). Desse modo, 1.000 CLP = 5 BRL; 10.000 CLP = 50 BRL; 50.000 CLP = 250 BRL.

💵 Câmbio

A melhor opção é trazer seus reais do Brasil e trocá-los numa casa de câmbio em Santiago, onde você encontrará a melhor cotação. No centro da cidade, na rua Agustinas, entre a rua Bandera e o Paseo Ahumada, há uma casa de câmbio ao lado da outra, o que ajuda na hora de comparar os preços. Várias se concentram também na rua Pedro de Valdivia, em Providencia.

Evite fazer câmbio no aeroporto ou na rodoviária, as taxas são as piores possíveis – troque somente o necessário. Dificilmente vale a pena comprar dólares no Brasil para trocar no Chile, na maioria das vezes, você acaba perdendo dinheiro na dupla conversão. Mas se você já tiver dólares em casa, pode trazer, porque é uma moeda mais forte que o real, com a taxa de câmbio geralmente em 1 USD = 600 CLP. Vale a pena ter dólares para se livrar do IVA (entenda esse imposto no texto mais adiante).

Se você não quer carregar tanto dinheiro, cartão é uma opção. Mas lembre-se que sobre todas as transações, seja crédito ou débito, você vai pagar 6,38% de IOF. Além disso, a cotação que o seu banco usa é calculada no dia de fechamento da fatura, o que pode trazer surpresas desagradáveis. Para saques, você pode usar qualquer caixa eletrônico da Redbanc, desde que o seu cartão tenha sido previamente desbloqueado para saques internacionais. O limite para retirar é 200.000 CLP e por cada saque é cobrado uma taxa de 4.500 CLP.

💳 Quanto custa

O Chile não é um país barato, mas você vai ver que os preços não diferem tanto de uma grande capital brasileira. Na região central do país, em cidades como Santiago ou Valparaíso, os preços costumam ser mais acessíveis: considere entre 7.000 e 12.000 CLP a diária em dormitório num hostel e a partir de 3.000 CLP o menu del día em restaurantes simples, no centro da cidade, ou 7.000 CLP em restaurantes mais bacaninhas. Para o norte e para o sul, os preços ficam mais salgados: o hostel sai entre 9.000 e 14.000 CLP e o almoço pelo menos  5.000 CLP.  Para economizar, vale comer lanches na rua (um completo, o cachorro quente local servido com abacate, custa 1.000 CLP e um sanduba caprichado, uns 2.000 CLP) e montar aquele piquenique no supermercado – acompanhado de vinho chileno, é claro!

O que mais encarece a viagem são os passeios. Embora muitas cidades tenham vistas para uma natureza estonteante, os principais parques e atrativos turísticos costumam estar a alguns bons quilômetros dos centros urbanos mais próximos. As alternativas são contratar tours com agências locais ou tentar fazer por conta própria com o sistema de transporte regional, que nem sempre chega próximo aos lugares ou tem horários regulares. Para você ter uma ideia, para fazer os cinco passeios principais (a seguir te contaremos quais são!) em San Pedro de Atacama, cidade base para conhecer o Deserto do Atacama, você gasta, pelo menos, 120.000 CLP. Os tours de um dia em Santiago, para conhecer vinícolas ou os Andes, custam entre 20.000 e 40.000 CLP.

Mochileiros econômicos conseguem se virar com um orçamento diário de 20.000 CLP, gastando uns dias mais, outros menos para compensar. Quem quer viajar com mais conforto deve reservar, pelo menos, 25.000 CLP.

🌦 Quando ir/Clima

A grande extensão do Chile, de norte a sul, faz com que o país tenha diferentes tipos de clima. De modo geral, ao norte encontramos um clima seco com temperaturas relativamente altas, ao centro um clima mediterrâneo e ao sul um clima oceânico, de temperaturas baixas e precipitações recorrentes, principalmente no inverno.

A região central pode ser visitada ao longo de todo o ano, mas brasileiro gosta mesmo é de ir no inverno, quando pode ver neve e visitar as estações de esqui. No verão, as temperaturas costumam ser bastante elevadas. Uma ideia interessante é conhecer a região no final dessa estação: em março, as temperaturas já estão mais amenas e a colheita e produção de vinhos está a mil nos vales ao redor da capital.

O verão é a melhor época para conhecer o sul: na região dos Lagos, as temperaturas são agradáveis e é possível praticar muitos esportes de aventura, inclusive de água; na Patagônia, os dias são mais longos (não se surpreenda se anoitecer depois das 21h!), chove menos e a temperatura é mais amena, apesar dos ventos fortes. Essa é também a alta temporada, quando os preços ficam mais caros e os locais mais cheios de turistas. Fim da primavera e começo do outono também são épocas boas.

Muitos pensam que não chove nunca no norte, por causa do seu deserto, o Atacama, o mais árido do mundo. Mas mesmo essa região tem suas instabilidades climáticas: principalmente próximo à cordilheira, as chuvas chegam no mês de fevereiro, acompanhadas de intensas tempestades. Muitas estradas fecham e é impossível realizar alguns passeios. Melhor evitar. Verão e inverno trazem temperaturas extremas, tanto para o frio quanto para o calor; o ideal é ir entre os meses de abril e maio ou setembro e outubro.

✈Como chegar

Santiago é a principal porta de entrada para o país e para as suas belezas naturais. Seu aeroporto internacional, Arturo Merino Benítez, recebe voos internacionais de todo o mundo e está a apenas 16km do centro da cidade. A forma mais econômica de chegar lá é com os ônibus Turbus (passagem 1.800 CLP, saídas frequentes a cada 15min), que ligam o aeroporto aos terminais rodoviários Pajaritos e Alameda, ambos conectados ao metrô.

Outra maneira de chegar ao Chile é por terra, através de um dos seus países vizinhos: Peru, Bolívia e Argentina. Você pode chegar do Peru pelo complexo fronteiriço de Arica; da Bolivia por Arica, Iquique e Antofagasta; e da Argentina, com quem o Chile compartilha mais de 5 mil quilômetros de fronteiras ao longo da Cordilheira dos Andes, por mais de 50 passos fronteiriços, entre os quais se destacam aqueles na altura das cidades de San Pedro de Atacama no norte, Santiago no centro e Osorno no sul.

🚗 Como se locomover

Bom mesmo é viajar pelo Chile de carro e poder parar nos lugares mais cênicos. Uma alternativa interessante é fazer as longas distâncias de avião ou ônibus e alugar um carro para percorrer as estradas secundárias nos arredores das cidades, descobrindo as paisagens que se revelam a cada curva. Você encontra diárias de automóveis por até 20.000 CLP, tranquilo de dividir quando você está viajando em casal ou amigos.

A estrada principal é a Ruta 5, a Carretera Panamericana, que atravessa boa parte do país, começando em Quellón, na Ilha Grande de Chiloé, e chegando na fronteira com o Peru. Não é possível chegar ao extremo sul do país: o imenso Campo de Gelo Sul inviabiliza qualquer estrada. Nesse caso, é necessário cruzar pelo território argentino.

Os ônibus que conectam os principais centros urbanos também vão por essa via. O transporte rodoviário é bem eficiente, com saídas regulares e a preços razoáveis. Para as distâncias longas, é possível viajar a noite, economizando assim a diária do hostel. Seu assento pode ser semi cama, o equivalente ao nosso semi-leito, ou salon cama, leito, esses bem mais caros. Turbus, Pullman e Condor são algumas das principais empresas de ônibus, que cobrem quase todo o país; os valores costumam ser similares. Para você ter uma ideia de preços (semi-cama):

Santiago – Valparaíso (1h45): 2.700 CLP

Santiago – La Serena (7h30): 12.500 CLP

Santiago – San Pedro de Atacama (23h): 27.200 CLP

Santiago – Puerto Montt (14h): 20.900 CLP

Viajar de avião não é caro. A Latam é a principal companhia, mas nem sempre tem os preços mais convidativos. A low-cost Sky Airline é a campeã de preços, porque tudo é pago a parte: marcar assento, imprimir bilhete, despachar bagagem. Qualquer conforto que você poderia ter é sacrificado, mas você encontra passagens ida e volta de Santiago a Calama, base para o Atacama, por 19.900 CLP ou de Santiago a Punta Arenas, base para a Patagônia, por 24.490 CLP – comprando com antecipação, é claro! A JetSmart vai nessa mesma linha, mas tem uma oferta reduzida de voos.

👆 Documentação

Não é necessário passaporte para viajar ao Chile, você pode entrar no país com o seu RG, desde que ele esteja em boas condições e com uma foto recente. Não é recomendado levar cédula de identidade com mais de 10 anos de emissão.

Ao entrar no país, você receberá a Tarjeta Única Migratoria, vulgo papelzinho da PDI (Policia de Investigaciones, o equivalente a nossa Polícia Federal). É importante guardá-lo até o final da sua viagem, porque vão pedi-lo quando você saia do país. Brasileiros têm direito a permanecer no Chile por até 90 dias.

⚠ Segurança

Para os nossos padrões brasileiros, o Chile é um país bastante seguro. Claro que você deve estar atento e ter alguns cuidados básicos, mas, de maneira geral, não há muito com que se preocupar. Na capital, Santiago, cuidado com os batedores de carteira em parques, bares, shoppings e metrô. Em restaurantes, evite deixar seus pertences sobre uma cadeira – é comum o furto de bolsas.

Mulheres viajando sozinhas podem se sentir mais seguras que no Brasil. Embora o Chile seja um país bastante machista, geralmente é porta adentro de casa. Dificilmente chilenos mexem com as meninas na rua.

🗣 Idioma

Dizem por aí que o espanhol chileno é um dos mais difíceis de entender aqui por essas bandas da América do Sul. E não à toa: os chilenos falam rápido, comem consoantes e a cada duas palavras que dizem, uma é gíria local.

Seguem algumas expressões bastante faladas no país – não que você tenha que sair usando todas, mas entender seu significado já vai ajudar você a se comunicar melhor com os chilenos.

Po – é uma palavra de ênfase, não significa nada em particular, mas tá sempre presente no final das frases. Você vai ouvir muitas afirmações como “sí, po” ou “ya, po”.

Cachai – algo similar ao nosso “entendeu?”, “sacou?”

Weón/weóna – é o equivalente ao nosso “cara”, pode ser usado de uma forma amistosa e carinhosa ou de uma forma agressiva, quando se xinga alguém

Bacán – legal, show, bacana; também pode ser utilizado como uma confirmação, um ok

Piola – algo tranquilo, de boa; “pasar piola” é sem chamar atenção

Carrete – festa

Fome – algo chato, entediante; se você escutar de um chileno “ah qué fome”, não vai responder eu também, hein!

Harto/a – é uma expressão de quantidade, de abundância; “tenemos harta comida”

Pololo/a – namorado/a, também se diz “pololear” para namorar

Copete – bebida alcóolica, também se diz trago

Pega – um trabalho, um job

Al tiro – imediatamente, já

La raja – algo incrível, fantástico

Weá – significa coisa e serve para literalmente qualquer coisa; algo que você não sabe o nome, algo a que você já se referiu, algo que está implícito…

Tincar – gostar, querer, igual ao “que te parece?”; “vamos al cine, te tinca? querí venir?”

Além disso, no uso cotidiano e informal da língua, os chilenos utilizam a segunda pessoa do singular, o tu, com uma conjugação que remete a segunda pessoa do plural, o vos. Na prática, eles não dizem “tu tienes”, mas sim “tu tení” (uma variação da forma original “vos tenéis”). Assim, “tu quieres” é “tu querí”, “tu estás” é “tu estai” e assim por diante. Para ouvidos desacostumados, é um pouco difícil de entender, mas logo a gente pega o jeito.

🗺 Informações turísticas

O melhor lugar para se informar são os centros de informações turísticas da Sernatur, Servicio Nacional de Turismo. Cada destino turístico tem o seu próprio escritório, onde é possível conseguir orientações, mapas e materiais turísticos. O horário de funcionamento geral é de segunda a sexta-feira, 9h às 18h, sábados, 10h às 14h. O site Chile Travel traz informações bem completas, em português, sobre as diferentes regiões do país.

📱 Telefones úteis

Código de área +56

Para ligar para celulares, é necessário acrescentar o 9 antes dos oito dígitos do número telefônico.

Ambulancia 131

Bombeiros 132

Polícia (Carabineros) 133

Embaixada do Brasil +56 2 2876.3400

👉IVA

O IVA é o Impuesto al Valor Agregado, uma taxa de 19% que vem incluído no valor de todos os bens e serviços adquiridos aqui no Chile. Roupa, comida, remédio, passeios, passagens, hoteis, qualquer transação comercial tem IVA.  Para estimular o turismo, o governo autorizou a isenção desse imposto para a hospedagem de turistas que fazem o pagamento em dólar – cartões de crédito internacionais, emitidos no Brasil, também valem (lembre-se que, nesse caso, você vai pagar o IOF no Brasil). A dúvida frequente é se o valor da diária já vem ou não com o IVA. Como alguns hotéis anunciam o valor com o IVA e outros sem, na dúvida sempre pergunte ao seu hotel.

Principais Destinos

Santiago

Emoldurada pela Cordilheira dos Andes, Santiago é uma cidade envolvente. No centro da cidade, vemos o contraste entre o passado e o presente, refletido nos edifícios modernosos ao lado das construções históricas. O ponto de partida para conhecê-lo é a movimentada Plaza de Armas, coração da cidade.

A partir daí, pelas ruas peatonales como o Paseo Ahumada ou a colorida Calle Bandera, você chega ao imperdível Museo de Arte Precolombino (entrada 6.000 CLP), que reúne objetos que cobrem mais de 4.500 anos de história do continente americano, antes da chegada dos europeus, e ao Palacio La Moneda, a sede presidencial, onde é possível ver a troca da guarda ou fazer a visita guiada gratuita (tem que reservar antes). No subsolo deste edifício, está o Centro Cultural La Moneda, sempre com exposições bem bacanas (e grátis se você chega antes do meio-dia!). A alguns passos, é possível conhecer o pequeno barrio Paris Londres, um charmoso conjunto de ruas de ladrilhos e arquitetura situado no cruzamento das ruas com esses nomes. O número 38 da rua Londres guarda um antigo local de repressão e extermínio da ditadura militar chilena, hoje convertido em um centro de memória. Quem quiser conhecer melhor o tema não pode perder o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos (fora do eixo turístico, mas fácil de chegar de metro).

📷@bromarrrr

A empresa Tours 4Tips, que também está presente em Valparaíso, Viña del Mar e San Pedro de Atacama, organiza tours por essa parte histórica da cidade, todos os dias às 15h. O tour não tem valor definido, você paga aquilo que você acha que vale. Na parte da manhã, eles fazem um tour explorando locais não turísticos (ou menos turísticos) de Santiago.

Vale reservar um tempo para conhecer os dois morros da cidade, bem centrais: o Cerro Santa Lucía</b, no meio do descolado bairro Bellas Artes (onde você também pode conhecer o Museo de Bellas Artes e o Centro Cultural Gabriela Mistral – GAM, ambos gratuitos), tem em seu ponto mais elevado um mirante situado em um antigo bastião espanhol; o Cerro San Cristóbal, em Bellavista, o bairro da boemia, tem as melhores vistas e abriga o maior parque da cidade, o Parque Metropolitano. Nesse último, dá pra subir de funicular, cujo acesso está ao final da Calle Pio Nono. Não muito longe se encontra outro grande atrativo, La Chascona (entrada salgadinha, 7.000 CLP, com carteirinha de estudante você paga 2.500 CLP), uma das três casas do poeta Pablo Neruda.

Caso chova durante sua estadia em Santiago, não se desanime! Como a cidade é cercada por cerros e pela cordilheira, a poluição fica concentrada, ocasionando uma espessa camada cinza sobre a cidade, fenômeno conhecido como smog (do inglês smoke, fumaça, e fog, neblina). E é justo depois de um dia de chuva que você pode ter a melhor vista para a Cordilheira dos Andes.

Impossível pensar no Chile e não lembrar dos seus fantásticos vinhos. Uma ida à capital é, para muitos, sinônimo de visitas a vinícolas e degustações. Não gaste seu dinheiro contratando tours, é possível conhecer os vinhedos do Valle del Maipo, dentro dos limites urbanos da metrópole, utilizando o transporte público. A cepa famosa da região é o Cabernet Sauvignon. A Concha y Toro é a queridinha e não raro os tours das bodegas reúnem somente brasileiros. Vale dar uma variada e (fugir da horda de turistas brasileiros e) conhecer outras vinícolas como Cousiño Macul, Tarapacá, Undurraga e Santa Rita. Veja no site de cada uma os valores das entradas (variam entre 10.000 e 146.000 CLP) e como chegar. As agências cobram entre 28.000 e 35.000 CLP, mas fazendo por conta própria você pode gastar até 15.000 CLP, com transporte, economizando até 20.000 CLP (100 reais!!).

Outras regiões viticultoras relativamente próximas são o Valle Casablanca, na Ruta 68, caminho a Valparaíso, famosa pelos vinhos de uvas brancas, e o Valle de Colchagua, que tem como base a cidade de Santa Cruz e se destaca pelos vinhos Carménère. No primeiro, recomendamos a visita a Casas del Bosque e Santa Emiliana, e no segundo, a Lapostolle e Casa Silva.

Já para as estações de ski, no inverno, o recomendado é ir com as agências mesmo. Apesar de perto, uns 50km, o caminho, cordilheira acima, é complicado, com muitas curvas. A Ski Total oferece transfer para os principais complexos, por 16.000 CLP: La Parva, El Colorado, Farellones e Valle Nevado. Prepare-se para gastar, as entradas variam entre 30.000 e 50.000 CLP e você ainda tem que considerar os gastos com aluguel de roupa, algo em torno de 20.000 CLP. Para esquiar, as melhores estações são El Colorado e Valle Nevado, este segundo o maior complexo, com muitas opções de alojamento e restaurantes. Já Farellones é um grande parque de diversões na neve, com tirolesa, descida de boias e pranchas (tipo esquibunda), teleféricos, além das pistas de esqui. A temporada de neve costuma ir de meados de junho a meados de setembro.

🏠 Onde ficar em Santiago

A cidade tem muitos hostels, em tudo quanto é canto. Os bairros mais recomendados são Bella Artes e Lastarria, aos pés do cerro Santa Lucia, Bellavista e Providencia. A região central tem muita oferta de acomodação, mas pode ser um pouco mais perigosa à noite.

O Hostal Yungay, inaugurado há menos de um ano em um casarão remodelado no bairro Brasil, é um dos mais estruturados da cidade. Dá pra ver como cada detalhe foi pensado para oferecer uma experiência mais confortável: as camas não são de solteiro, mas sim de viúva (ou una plaza y media, como dizem por aqui), um pouco maiores, e contam cada uma com luz e tomada individuais; os lockers são grandes o suficiente para colocar a mochila e têm até estante interna; toalhas são entregues ao fazer check-in, sem cobrança adicional; todos os quartos são super espaçosos e, por causa do pé direito alto do antigo casarão, tem um mezanino, distribuindo as camas entre os dois andares. Nos banheiros, sempre muito limpos, tem até secador de cabelo! O café da manhã também é digno de elogios, com cereais, frutas, ovos (que você mesmo pode preparar, como queira), pães, geléias, frios e um café verdadeiramente gostoso (uma raridade por aqui no Chile).

O Hostal Providencia é O lugar pra conhecer gente. O hostel, localizado a alguns metros da estação de metrô Baquedano, é gigante, com capacidade para mais de 200 pessoas – garantia de conhecer alguém, perfeito se você está viajando sozinho ou de galera. Mais legal ainda é que todos os dias o staff organiza jantares (a 5.000 CLP) e depois festinhas, seja noite de terremotos (uma bebida típica, perigosamente doce, com vinho pipeño, sorvete de abacaxi e granadina) no hostel ou carrete (não lembra o que é? dá uma conferida no nosso dicionário de chilenismos lá em cima!) nas boates locais – na quarta-feira, por exemplo, você ganha a entrada da discoteca, o transporte pra lá e mais três piscolas (pisco, um destilado local, com coca-cola) pra entrar no clima! Nem por isso o hostel é bagunça, muito pelo contrário. O prédio, atualmente em expansão, é muito limpo e organizado; o acesso é controlado, com sistema de segurança (você ganha um cartão pra entrar e sair); os quartos e banheiros são impecáveis. Aliás, todos os dormitórios femininos tem seu próprio banheiro dentro do quarto. Há uma mini agência de turismo, onde explicam, organizam e vendem tours e o pessoal do hostel te dá, mediante depósito, um cartão do metrô, o bip, pra você não precisar comprar um. O Hostal Forestal, dos mesmos donos e a alguns minutos de caminhada, tem um clima mais intimista e uma atenção mais personalizada. Os dois prédios tem grafites muito legais da artista @antoniaboza.

 

Valparaíso & Viña del Mar

A maioria dos viajantes brasileiros conhece essas duas cidades litorâneas vizinhas, situadas a aproximadamente 120km de Santiago, num bate e volta a partir da capital, num batidão pelos pontos turísticos. Mas a verdade é que, tendo tempo, vale a pena garantir pelo menos umas duas noites aqui.

Valparaíso, à primeira vista, pode parecer uma cidade decrépita e suja, embora algo na sua imponente arquitetura lembre os tempos áureos como um dos principais portos da América do Sul. A verdade é que o encanto da cidade vem desse harmônico caos urbano de casas coloridas, longas escadarias morro acima, ruas irregulares que não levam a lugar nenhum, grafites em cada metro quadrado disponível. A efervescência cultural e a boemia, muito graças aos muitos jovens universitários, também conquistam.

📷@marcelo.spallier/

Existem alguns pontos turísticos emblemáticos, como La Sebastiana (7.000 CLP, estudantes 2.500 CLP), a casa de veraneio de Pablo Neruda, repleta de artefatos de todo o mundo, reunidos durante os anos do poeta como diplomata, ou o Museo de Bellas Artes (2.000 CLP, estudantes 500 CLP), instalado numa mansão em estilo art nouveau, com obras retratando diferentes épocas da cidade. Mas o melhor de Valpo, como é carinhosamente chamada pelos chilenos, é subir seus tradicionais elevadores (tickets variam entre 100 e 250 pesos) para os pontos mais altos da cidade e descer a pé, perdendo-se pelas ruas. O Ascensor Reina Sofia, que leva ao Cerro Alegre, o Ascensor Artilleria, no cerro de mesmo nome, com uma vista fantástica pro porto, são imperdíveis. Vale muito a pena fazer o tour Grafreeti, os guias sabem muito de arte urbana e vão apresentar alguns dos murais mais legais da cidade.

Viña del Mar é a antítese da sua vizinha. Balneário chique, tem uma elegante avenida à beira-mar, construções sofisticadas como o Cassino e o Teatro Municipal, um belo jardim na entrada da cidade, onde o Reloj de Flores dá as boas-vindas, e um parque, a Quinta Vergara, com bonito paisagismo e um palacete. No verão, a cidade fica lotada de santiaguinos que vão curtir as praias de águas gélidas (o Pacífico é para os corajosos!). As praias mais bonitas estão fora do limite urbano, em Reñaca e Concon, mas dá pra chegar de busão.

🏠 Onde ficar em Valparaíso

O melhor do Hostal Po é a sua localização: próxima a praça Sotomayor, na subida para os cerros Concepción e Alegre, os morros mais turísticos da cidade, com supermercado, restaurantes, bares, tudo pertinho. A casa tem vários grafites pelas paredes, refletindo o espírito e a arte de Valparaíso; é antiga, o chão de madeira dá aquela rangida, mas as instalações são boas e tudo é muito limpo. O terraço tem rede e uma vista bacana e é um bom lugar pra conhecer gente, clima bem jovem e buena onda. Miguel e o staff são muito simpáticos e ajudam os turistas a descobrir o melhor de Valpo. O café da manhã é ótimo, com pão marraqueta quentinho, e a cozinha é bem equipada.

🏠  Onde ficar em Viña del Mar

O hostel Casa Mondo (antes conhecido como Urban House), está na entrada de Viña, a uma curta caminhada dos principais atrativos e bem pertinhoda estação de metrô Miramar (ótimo para quem pretende conhecer também Valpo). O antigo casarão, completamente restaurado, tem cômodos amplos e bem iluminados, com quartos privativos para duas pessoas e dormitórios compartilhados com quatro ou seis camas. A cozinha é bem equipada, inclusive tem sempre vários temperos pra galera cozinhar. O pátio e o terraço são ótimos para os fins de tarde do verão. Café da manhã bem completo – os ovos mexidos fazem sucesso entre os hóspedes! Ocasionalmente, organizam eventos de yoga e meditação.

Pucón

Pucón tem uma vocação natural para atividades ao ar livre. De caminhadas tranquilas a descidas emocionantes de rafting Rio Trancura abaixo, há opções para todos os gostos.

Na cidade, vale conhecer a praia de areias vulcânicas do Lago Villarrica, onde dá pra fazer passeios de barco ou de kayak, e caminhar ao longo da avenida principal, General O’Higgins, comparando os preços das agências para as atividades de aventura.

Subir o Vulcão Villarrica, um dos mais ativos do Chile, é o desejo de nove a cada dez viajantes. Mas não pense que é moleza não! São pelo menos quatro horas de subida bastante inclinada, primeiro por pedras recobertas por gelo, depois pela neve constante que se acumula na parte mais elevada do vulcão (a cratera está a 2.847m). As agências, que costumam cobrar de 80.000 a 90.000 CLP por esse tour, com guia de montanha, dão o equipamento completo: capacete, botas e grampos, piolet, polainas, jaquetas e calças impermeáveis.

É possível pegar um atalho, subindo uma parte do caminho com o teleférico utilizado pela estação de esqui local (aberta de julho a setembro), ao custo de 10.000 CLP. Para descer, todo santo ajuda! Sentado sobre uma prancha, você vai deslizando de esquibunda boa parte do caminho.

A melhor época para o ascenso é de outubro a março. Se você não tiver tanto pique, as agências oferecem um passeio para a base do vulcão e também para as cavernas vulcânicas. Ou se você quiser fazer o diferentão, tem outros vulcões para escalar nos arredores: o Quetrupillán (2.360m), de menor dificuldade, e o Lanin (3.747m), de maior.

Se você ficou cansado só de ler a respeito, saiba que outra das principais atividades na região são as águas termais. São mais de 20 complexos termais, entre os quais se destacam as belíssimas Termas Geométricas, uma fantástica sequência de passarelas vermelhas adentrando por meio quilômetro uma quebrada repleta de vegetação e nascentes de águas, algumas com mais de 90ºC (mas calma, a temperatura nas piscinas varia somente entre 35º e 45ºC). O acesso, no meio do Parque Nacional Villarrica, é complicado de ir por transporte público, melhor contratar um tour, por 35.000 CLP. Uma alternativa mais barata é Los Pozones, que dá pra chegar de ônibus e tem uma entrada de 8.000 CLP.

O que as agências vendem como Tour por la Zona dá total pra fazer sozinho. Basta pegar um ônibus local até o Lago Caburgua, onde é possível conhecer a Playa Blanca e a Playa Negra. Na volta, vale passar pelo Ojos del Salar, um conjunto de cachoeiras em volta de piscinas naturais de um azul intenso. Pena que não dá pra se banhar.

Entre os trekkings, se destacam o Parque Nacional Huerquehue, com a trilha San Sebastian, e o mirante do Santuario El Cañi – os dois exigem fôlego e nos recompensam com uma vista fantástica para florestas de araucárias e para os vulcões nos arredores.

🏠 Onde ficar em Pucón

O centro de Pucón é pequeno e nada está realmente longe. Você vai ver placas de arriendo cabañas por todos os lados, é o tipo de alojamento mais popular nessa região. O Okori Hostal Pucón, situado a uns 5km do centro (pra chegar, só com os ônibus locais), oferece um pouco dessa experiência, mas numa estrutura de hostel: uma grande cabana de madeira, isolada no meio da natureza, com dormitórios e quartos privativos. O clima é muito aconchegante, com uma lareira constantemente acessa, muitas almofadas espalhadas pela sala de estar e cobertores disponíveis para quem quiser ficar de preguiça por ali. Sapatos, inclusive, são proibidos: ao entrar, tem que tirá-los e usar uma das crocs disponibilizadas num cesto.

Já o French Andes Hostel, localizado a duas quadras da avenida principal, tem uma das melhores vistas para o vulcão Villarrica. Na verdade, são duas casas, uma a poucos passos da outra, as duas muito confortáveis, limpas e bem decoradas. O hostel traz também um conceito um tanto diferente: além de dormitórios e quartos privativos, eles oferecem o que chamam de cápsulas, um quarto individual em que cabe apenas a cama, que pode ser de solteiro ou de casal, sob um teto inclinado com uma janelinha com vista (tem uma cortina black-out pra não atrapalhar o sono de ninguém). Todo o resto fica do lado de fora, incluindo os lockers para as mochilas. Uma ótima maneira de garantir certa privacidade aos viajantes que não querem gastar tanto.

O Chili Kiwi Lakefront tem localização privilegiada, na frente do lago, e uma estrutura diferentona, com casas na árvore e acomodação dentro de vans (são quartos privativos para duas pessoas).

📷@_gersinho_

Puerto Montt/Puerto Varas

Essas duas cidades vizinhas, distantes 20km entre si, também fazem parte da paisagem dos Lagos Andinos. O grande destaque aqui é o Lago Llanquihue, o maior da região, em cujas margens está Puerto Varas, bastante charmosa, ideal para se hospedar. Já a Puerto Montt, uma cidade um pouco maior e com mais infraestrutura, falta certo encanto, embora seja uma base para conhecer outros destinos próximos, como a ilha de Chiloé e o começo da Carretera Austral.

A intensa colonização alemã se nota na arquitetura e na culinária – experimente a kuchen, uma deliciosa torta de massa assada e recheada geralmente de frutas. A Iglesia del Sagrado Corazón de Jesus, um dos principais cartões-postais de Puerto Varas, com o lago e o Vulcão Osorno ao fundo, foi construída em estilo bávaro-barroco.

Puerto Varas Se parece a Pucón, talvez um pouco menos aventureira, mais pacata. O principal a fazer é caminhar pelo centrinho e pela Costanera, com vistas para o vulcão e o lago. Nessa avenida, está o curioso Museo Pablo Fierro, uma coletânea de estranhos objetos e obras do artista plástica que dá nome ao museu. A cidade está a 67km do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales (ônibus a cada hora, aproximadamente, atenção aos horários de retorno), onde se encontram atrativos como o Lago Todos los Santos, também conhecido como Lago Esmeralda, por causa da tonalidade de suas águas, e os Saltos do Rio Petrohue, cujas cores variam entre o verde e o azul, contrastando com o branco, da espuma formada pela força das quedas, e com o negro das rochas vulcânicas. Uma paisagem impressionante.

Vale muito a pena também conhecer os povoados nos arredores, às margens do lago. Dá pra chegar com os ônibus locais sem problemas. Puerto Octay é famosa pelos campos de tulipa e Frutillar pelo píer de madeira com vista para três vulcões – o Osorno, o Puntiagudo e o Calbuco – e pelo Teatro del Lago, de arquitetura bem bacana.

🏠 Onde ficar em Puerto Varas

O Margouya Hostel está instalado numa casona grande, em estilo alemão, inteiramente de madeira. A cozinha, com uma grande bancada para todo mundo cozinhar junto, é a alma da casa, junto com a sala sempre aquecida pela lareira. Os jardins floridos também são ótimos nos dias de calor, para tomar banho de sol e fazer asados. Pierre, o dono, é um francês muito simpático, há anos radicado na região – que ele conhece muito bem, por sinal. Dá pra comprar tours com o staff e também alugar bicicletas e kayaks. Quartos espaçosos, com lockers grandes para as mochilas.

Chiloé

O arquipélago de Chiloé talvez seja um dos poucos segredos ainda bem guardados do Chile. É composto por mais de trinta ilhas, que rodeiam a maior e a principal delas, Isla Grande, onde se encontram as duas principais cidades, Ancud e Castro. Geograficamente isolada da continente, a região teve sua cultura de certo modo mais preservada: uma das coisas mais legais de viajar por aqui é conhecer os costumes e as tradições do povo nativo, os chilotes.

Não espere encontrar uma grande estrutura turística, tudo é bastante rústico e modesto – as únicas extravagâncias ficam por conta da natureza. Chiloé tem muitos campos, baías, lagos, fiordes, todos habitados por uma fauna diversa. Leões marinhos, golfinhos, baleias, pinguins, patos, cisnes de pescoço preto e muitos outros tipos de aves – em mapudungun, o idioma indígena local, mapuche, Chillhué significa “lugar de gaivotas” – compartilham essas terras com ovelhas, vacas, porcos e outros animais de pasto, aqui muito verdes e uma das principais fontes de renda para a população local, junto com a agricultura e a pesca.

A baía de Puñihuil é um destino de férias para os pinguins de Magalhães, que chegam da Patagônia, e para os pinguins de Humboldt, que vêm da costa do Peru e do Chile. Curiosamente, esse é um dos poucos lugares onde essas espécies convivem. Os pingüins podem ser vistos em ilhotas próximas à praia, onde ficam entre os meses de outubro e março. O passeio é feito a bordo de lanchas, dura uns 30 minutos e custa 7.000 CLP. Mais info aqui.

O homem também deu uma mãozinha para deixar esse lugar ainda mais encantador. Sem conhecimentos formais de arquitetura, os chilotes construíram, durante as missões jesuíticas e franciscanas entre os séculos 17 e 19, mais de 70 igrejas de madeira, das quais 16 foram declaradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Seu desenho é bastante particular: parecem casas com uma torre ao centro, misturando características europeias e indígenas nativas. São feitas inteiramente de uma madeira encontrada em abundância na região, o alerce, resistente à intensa umidade local. Os pedaços de madeira, as tejuelas, estão todos encaixados, sem uso de prego. Você encontra a localização de cada uma aqui nesse site.

Outro símbolo arquitetônico do arquipélago são as palafitas, que tem tudo a ver com a atmosfera e o estilo pesqueiro dos pueblos. Muitas foram destruídas ao longo dos anos, mas dois grupos delas ainda resistem em Castro: os Palafitos Gamboa e Pedro Montt. Vale a pena fazer um passeio de barco, saindo do porto principal, para vê-las do mar. Como você pode imaginar, a ilha é o lugar ideal para comer frutos do mar. Experimente as machas e os ostiones, moluscos típicos do Pacífico, as almejas (ameijôa, também conhecido pelo nome em italiano, vôngole); os choros (mexilhões) gigantes; a jaiba (siri), bastante comum como recheio de torta, o famoso pastel de jaiba; entre outros. O curanto, um prato de origem mapuche, reúne frutos do mar, batata, cebola, carne de porco e frango e mais um monte de delícias misturadas; é tradicionalmente preparado com o vapor do fogo aceso em buracos na terra, bem ritualístico.

 🏠 Onde ficar em Chiloé

Ancud tem uma maior oferta de hospedagens, mas Castro é mais charmoso. O 13 Lunas Hostel está em uma tradicional casa chilota, do lado do terminal de ônibus em Ancud. Quando as constantes chuvas dão uma trégua, dá pra aproveitar o lindo jardim, com redes e corda para slackline, ou alugar uma das bicicletas ou kayaks disponíveis. O hostel é tão aconchegante que você pode ficar tentado a passar muito mais tempo aqui com os outros viajantes do que conhecendo a ilha!

Puerto Natales/Torres del Paine

Punta Arenas, a maior cidade no extremo sul do Chile e a única com aeroporto, pode ser a porta de entrada para essa região, mas a proximidade com o Parque Nacional Torres del Paine, o grande atrativo da Patagônia chilena, faz de Puerto Natales a principal base para essa aventura.

Se você chega de avião, o primeiro passo é ir de Punta Arenas para Puerto Natales, distantes 250km. A principal companhia que faz esse trajeto, de aproximadamente três horas, é a Buses Fernandez (passagem 8.000 CLP, saídas mais ou menos a cada hora).

No centro de Puerto Natales, às margens do fiorde Última Esperanza, é fácil encontrar tudo o que é necessário para conhecer Torres del Paine: supermercados para comprar comida, lojas que alugam roupas e equipamento para acampar, agências que reservam campings e refúgios no parque, empresas de tours. A cidade é mais um ponto estratégico do que um atrativo turístico, mas ainda sim existem alguns lugares que vale a pena conhecer, como a arborizada Plaza de Armas; a Avenida Costanera, onde se encontra Plaza de los Vientos, cujas esculturas de um homem e uma mulher no ar, sobre uma haste, representam a união entre o ser humano e a força eólica da Patagônia, e o Muelle Histórico, uma antiga doca, hoje em ruínas. A famosa Cueva del Milodón, uma caverna onde foram encontrados restos do milodonte, um animal pré-histórico similar a uma preguiça gigante e extinto há mais de 10 mil anos, está a 25km da cidade (só dá pra chegar com carro próprio, tour ou um táxi caríssimo).

Torres del Paine, o motivo pelo qual todos vêm a essas terras geladas. São mais de 227.000 hectares, declarados Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1978, de uma natureza bruta, intocada, daquelas que faz você se sentir um nada em meio às águas turquesas, os glaciares resplandecentes e as torres de granito da Cordilheira Paine rasgando o céu. Você pode conhecer o parque com um tour full day (a partir de 35.000 CLP) ou percorrendo a pé os circuitos de trekking.

O parque está a 110km de distância da cidade, ou duas horas de ônibus (8.000 CLP), e a entrada custa 21.000 CLP (ou 11.000 CLP na temporada baixa, entre maio e setembro), válida por três dias de visita. Ou seja, se você não está muito seguro de como organizar a sua viagem, se você vai encarar o trekking ou não, dá pra fazer um passeio de um dia para o parque, ter uma ideia do que você vai encontrar, voltar para a cidade e ir novamente no dia seguinte, se quiser (mas lembre de reservar mais dias no seu cronograma!).

Eu recomendo fortemente que você faça o trekking. Embora os tours te levem para alguns miradores fantásticos, ao longo de uma estrada que percorre o sul do parque, somente encarando a caminhada você vai ver e conhecer a Cordilheira Paine de perto, em toda a sua imensidade. Há dois circuitos clássicos para percorrer o parque: o W, que é mais curto e contorna a cordilheira em sua parte sul, e o O, que passa pelos lugares do W e também pela parte de trás das montanhas. Em geral, o circuito O toma de 7 a 10 dias, e o W de 3 a 5 dias, mas você pode fazer no ritmo que você quiser.

 

Os circuitos podem ser feitos em qualquer sentido, porém se recomenda fazer o O em sentido anti-horário, já que há uma subida complicada para quem fizer no sentido inverso. Para o W tanto faz, mas eu considero melhor começar da esquerda, em Paine Grande, descendo do bus no Lago Pehoe e fazendo a travessia em catamarã, e terminar com chave de ouro nas Torres de Paine.

Em relação a acomodação dentro do parque, você pode ficar nos hotéis caríssimos, geralmente all inclusive; nos refúgios, em dormitórios com banheiros compartilhados, e nos acampamentos. Nem preciso dizer qual sai mais barato, né? Três empresas são responsáveis pela administração dos refúgios e campings: a CONAF, cujos acampamentos são gratuitos, mas tem reserva obrigatória (e são mais concorridos, claro), e a Fantástico Sur e a Vértice, empresas que têm a concessão para controlar os campings privados. Os preços variam muito, dependendo se você vai ficar no refúgio ou no camping, se você vai levar saco de dormir ou não, se você vai contratar as refeições ou levar sua própria comida, etc. Confira os sites e, se possível, faça reserva antecipadamente (no verão, é bastante comum lotar tudo).

A ideia que o pessoal costuma ter é que ou você vai gastar muito e fazer o trekking com conforto ou você vai gastar pouco e passar perrengue – lembre que você tem que carregar tudo o que levar. E infelizmente é mais ou menos isso aí mesmo. Uma alternativa de meio-termo é reservar as barracas nos campings, para não ter que carregá-la e ter todo aquele trabalho de monta e desmonta. Dessa forma, você carrega somente seu saco de dormir e o que for comer.

 🏠Onde ficar em Puerto Natales

Claro que antes e depois de toda essa peregrinação você precisa de um lugar para ficar em Puerto Natales. Dois hostels são particularmente recomendados, ambos ajudam a organizar sua ida ao parque e vendem excursões pela Patagônia, incluindo pelo lado argentino. Outra coisa importante é que oferecem depósito de malas durante os dias que você estiver no parque. O Vinnhaus é um hostel boutique com uma decoração vintage atenta a cada detalhe e espaços muito confortáveis. O café da manhã é uma delícia, o brownie, então, espetacular! O único ponto contra é que não oferece cozinha, embora tenha um café restaurante próprio. Já o The Singing Lamb Backpackers tem um ambiente mais relaxado, mais de galera, melhor para conhecer gente. O café da manhã é ótimo e servido a partir das 5h30 para aqueles que vão madrugar a caminho do parque. Camas super hiper confortáveis!

San Pedro de Atacama

Localizado no norte do Chile, o imenso Deserto do Atacama é o mais alto e seco do mundo. San Pedro de Atacama, o vilarejo base para conhecer suas paisagens mais singulares e impressionantes, é um oásis abarrotado de turistas do mundo inteiro. O Atacama tem vulcões, salares, lagoas, cordilheiras de sal, gêiseres, curiosas formações rochosas e um céu estrelado como você nunca viu.

A principal rua de San Pedro é a Caracoles, repleta de restaurantes, bares e agências de turismo que vendem todos os tipos de excursões pelo Atacama. No centrinho patrimonial, você vai encontrar chão de terra batida, pequenas casas de adobe e antigos canais de irrigação que distribuem a água pelas ruas estreitas.

Vale conhecer a Plaza de Armas, onde se encontram a Igreja, construída pelos jesuítas espanhóis no século 18, e a Feria de Artesanato, que na verdade tá mais pra industrianato made in Bolivia. O Pueblo de Artesanos, situado junto ao Terminal de Ônibus, tem produtos mais autênticos, bem como algumas lojas especializadas na Caracoles. Em termos de artesanato, os destaques são os produtos feitos da lã de lhama ou alpaca, em pedra vulcânica ou em madeira de cacto.

Para descobrir as impressionantes paisagens do Atacama, não tem jeito, você precisa ir de carro ou com uma agência. Para lugares distantes, na região da cordilheira, acima dos quatro mil metros de altura, não é recomendado ir por conta própria: para os gêiseres, por exemplo, você precisa pegar uma estradinha cheia de curvas antes do sol nascer, e para o Salar de Tara, sequer existe estrada dentro da reserva onde se encontra esse atrativo. Por segurança, contrate uma agência.

Em relação a essas empresas, é bom saber que você pode encontrar uma grande diferença de preços. As agências mais baratas têm uma prática comum de repassar os clientes para outras agências quando não conseguem fechar grupo com um número mínimo de passageiros. Os preços mais em conta também costumam significar carros antigos, grupos muito grandes (algumas agências vão até em ônibus), tours sem refeições e guias despreparados (muitos mochileiros chegam no vilarejo e em menos de uma semana já estão trabalhando como guias). Já as agências mais caras costumam ser melhor preparadas para emergências, dispondo de kit de primeiros socorros, oxigênio e telefone satelital, além de oferecerem refeições mais requintadas e um serviço mais personalizado. Entre as mais econômicas, recomendamos a Whipala; intermediárias, a 123 Andes, a Sorbac e a Araya Atacama; mais caras, Ayllu e FlaviaBia Expediciones, essas duas especializadas em brasileiros.

Os cinco passeios principais oferecidos pelas agências, com uma ideia de distância e de altitude:

👉Valle de la Luna (2400m), algumas agências incluem também o Valle de la Muerte. É o mais próximo da cidade, cerca de 7km, dá pra encarar de bike. As agências oferecem um tour half day, geralmente a tarde, para ver o pôr do sol.

👉Laguna Cejar (2300m), a primeira parada a uns 22km do pueblo em uma lagoa com alta concentração de sal, o que impossibilita afundar nessas águas, visitando também os Ojos del Salar e a Laguna Tebenquinche, onde se vê o atardecer.

👉 Lagunas Altiplânicas + Piedras Rojas (4300m), distância de 140km; passeio full day, visita o Salar de Talar, popularmente conhecido como Piedras Rojas por causa das formações rochosas avermelhadas ao seu redor, e as Lagunas Altiplânicas Miscanti e Miñiques; algumas agências visitam a Laguna Tuyacto e outras visitam a Laguna Chaxa; o almoço costuma ser servido no povoado de Socaire, também se visita o povoado de Toconao.

👉Geyser El Tatio (4200m), cerca de 90km; visita ao um imenso campo geotérmico, sempre nas primeiras horas da manhã, com parada também no povoado de Machuca e nos bofedales, uma vegetação típica do altiplano, Vado Putana e Vado Machuca.

👉Salar de Tara (4500m), o local mais distante, a 150km; passeio full day super bacana, em que o carro anda livremente pela imensidão do deserto, passando por várias formações rochosas de origem vulcânica e chegando ao cênico Salar de Tara, onde costuma ser servido o almoço.

O ideal é fazer os passeios de menor altitude primeiro e ir subindo progressivamente, para se aclimatar aos poucos. Outros lugares a conhecer são as águas termais das Termas de Puritama, a Quebrada de Guatín e seus cactos gigantes, o Valle del Arcoiris e suas rochas coloridas, as Lagunas Escondidas e suas águas salgadas de um turquesa intenso, as ruínas arqueológicas do Pukara de Quitor pertinho da cidade, os vales e as cornisas de Catarpe, e o observatório Alma, um projeto científico internacional de radioastronomia (tours gratuitos nos sábados e domingos de manhã, reserva necessária). Atenção! Não confundir esse último com os chamados Tours Astronômicos, observações do céu à noite realizado por empresas privadas, dentre as quais a mais recomendada é a Space. Se possível, reserve sua viagem para dias de lua nova, melhor para ver as estrelas.

🏠 Onde ficar em San Pedro de Atacama

Super central, a alguns passos da Caracoles, o Hostal Rural é uma construção de adobe, decorado com muitas mandalas, ladrilhos e elementos místicos. É uma delícia relaxar nas redes do pátio ou conhecer gente no bar do terraço (aqui você encontra a piscola, pisco + coca, mais barata de San Pedro!). As instalações são simples, como costumam ser no pueblo, mas confortáveis. Oferecem um café da manhã bem básico.

Iquique

Iquique é uma cidade do extremo norte do Chile que raramente se encontra nos itinerários de viagem dos brasileiros. Vez ou outra alguém se seduz por um dos seus atrativos, a Zona Franca de Iquique, um grande centro de compras sem impostos e, portanto, uns 20% mais barato que no resto do país (em alguns itens, como perfume, por exemplo, os descontos podem passar os 50%). Mas a verdade é que essa cidade litorânea tem muito mais a oferecer.

Protegida pela Cordilheira da Costa e pelo Cerro Dragón, a maior duna de areia em zona urbana do mundo, Iquique é uma cidade costeira bem agradável, com um preservado centro histórico e uma orla moderna e bem cuidada. O coração do centro é a charmosa Plaza Arturo Prat, com o belo conjunto arquitetônico da Torre del Reloj e do Teatro Municipal; o edifício do Casino Español também é digno de atenção. Na região portuária, vale conhecer o edifício da Aduana e Museo Corbeta Esmeralda, uma representação do barco Esmeralda original, que afundou durante a Guerra do Pacífico, em 1879, construído para celebrar o Bicentenário do Chile.

Ao longo do Paseo Baquedano, um calçadão que corta o bairro histórico, você vai ver os casarões em estilo georgiano da época em que a região era muito rica por causa da indústria salitrera, no final do século 19 e começo do século 20. Aliás, é justamente desse tempo que vem um dos atrativos mais legais da região: Humberstone, a 47km de distância, é uma bem preservada cidade fantasma, que em seu auge de desenvolvimento, gerado pela extração de salitre, chegou a ter 4 mil habitantes.

As praias de Iquique também dão pro gasto, embora o Pacífico seja de congelar a alma. A Playa Cavancha, é a maior e a mais popular de todas, enquanto a Playa Brava tem, como seu nome indica, águas bastante revoltas, geralmente encaradas apenas pelos surfistas locais. Entre as duas se encontra a Península, repleta de restaurantes e condomínios caros. Por aqui rola uma feirinha de mariscos e pescados, algumas bancas vendem potinhos com mariscadas e ceviches já preparados por 1.500 CLP.

Iquique também é popular entre viajantes que querem fazer esportes radicais. Os mais populares são o voo de parapente (45.000 CLP) e o sandboard nas dunas do Cerro Dragón (20.000 CLP).

🏠  Onde ficar em Iquique

O HI Backpacker’s Iquique é um hostel fantástico, com muitas áreas para a convivência dos hóspedes – tem bar, café, pátio, salão de jogos, sala de TV, sala de estar, todos os espaços bem decorados e com murais estilizados. A cozinha é completíssima e muito espaçosa, de modo que todos podem cozinhar ao mesmo tempo. O terraço é pequeno e muitas vezes disputado para ver o atardecer. O hostel tá localizado praticamente na avenida costanera, basta atravessar a rua para chegar até a praia. O staff super simpático sempre organiza eventos e aluga pranchas e roupas de surf e também bicicletas. Como muita gente chega de ônibus de madrugada, por volta das 5h da manhã, eles costumam liberar um “early check-in” se o quarto/a cama está disponível.

La Serena/Valle del Elqui

La Serena é outro dos destinos ainda a ser descoberto pelos turistas brasileiros. A cidade litorânea, além de destino de veraneio dos chilenos, é o ponto de partida para conhecer o Valle del Elqui, uma terra mística de pisco, poesia e céus estrelados.

O símbolo de La Serena e um grande atrativo local é o Faro Monumental, um bonito farol de 1951 situada na primeira das muitas praias urbanas ao longo da Avenida del Mar, que começa mais ou menos na altura dessa construção. Desse ponto, a avenida Francisco de Aguirre leva ao charmoso Jardin del Corazón, em estilo japonês, e ao centro histórico, com a tradicional Plaza de Armas e a Catedral. A duas quadras da praça, está o Museo Arqueológico de La Serena, de coleção bastante modesta, com destaque para um dos moais da Ilha de Páscoa. Outro lugar a conhecer é o Parque Cerro Santa Lucía, com o Regimiento Coquimbo, um forte militar do século 18; morro acima, o parque oferece uma vista bonita da cidade, com o Pacífico ao fundo. Mais distante da cidade, está a Isla Damas, uma reserva natural de animais marinhos, e o balneário de Totoralillo.

O terminal rodoviário de La Serena têm saídas frequentes para diferentes destinos no Valle del Elqui. Vicuña é a maior cidade da região e é o local de nascimento de Gabriela Mistral, importante poetisa chilena e primeira latino americana a ganhar o Nobel de Literatura. Cerro Mistral, rua Mistral, café Mistal, pisco Mistral… você vai ver que tudo na região a homenageia. Inclusive a ruta patrimonial, que percorre vários pueblos do vale como Montegrande e Pisco Elqui, leva o seu nome.

Com mais de 300 dias por ano sem chuva, posição geográfica privilegiada e sem grandes centros urbanos e sua poluição luminosa, a região do Valle del Elqui é ideal para a observação astronômica. Existem observatórios profissionais, como o Cerro Tololo, que recebe turistas para visitas guiadas aos sábados, e o Observatorio Mammalluca, que oferece tours noturnos por 7.000 CLP (transporte até o local não incluído).

E por fim, o atrativo alcóolico da região: o pisco. Chilenos e peruanos disputam, há anos, qual dos dois países criou essa aguardente à base de uvas. Independente de quem ganha essa briga, uma coisa é fato: próximo ao pueblo de Pisco Elqui se encontra Fundos los Nichos, a pisquera mais antiga em funcionamento, fundada em 1868 e ainda hoje dedicada a produção de pisco artesanal. É possível visitar a destilaria, conhecer o processo de elaboração da bebida e, claro, degustá-la. No mesmo povoado está a Destileria Pisco Mistral, também aberta a visitações.

Dizem os chilenos que o Valle del Elqui tem uma grande concentração de energias, em particular na região de Cochiguaz. Não por acaso, são muitos os estabelecimentos que oferecem aulas de ioga, sessões de reiki, terapias holísticas e atividades ligadas à meditação e à espiritualidade. Com os céus estrelados e o ritmo interiorano, o Valle del Elqui é realmente um lugar místico, perfeito para desacelerar, desconectar e recarregar as baterias.

 🏠Onde ficar em La Serena

O hostel Cosmo Elqui tem duas sedes, uma em La Serena e outra em Rivadavia, no vale, ideal para fazer um bem bolado e conhecer toda a região. Enquanto o primeiro tem uma vibe mais party hostel, o segundo é perfeito para disfrutar da tranquilidade do vale.

E você? Tem alguma dica imperdível sobre o Chile? Conta para a gente nos comentários! 👇👇

📚 Sobre a autora 📚

A ideia da jornalista Constance Laux era passar uma temporada de três meses no Chile. Ficou quase dois anos. É o tipo de pessoa que pesquisa extensamente até para ir à esquina, mas que no final não segue nenhum plano ou cronograma de viagem. Você pode acompanhar suas andanças no Instagram.
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Sobre o Autor

Laura Carniel

I'm Laura, Brazilian, and I'm obsessed with dogs, films, sharing good stories with friends and discovering quirky places. Social Media & Content Executive and #HostelworldInsider at Hostelworld. 🌏 Favourite place on earth: London, UK. 🏠 Favourite hostel: Oki Doki Hostel - Warsaw, Poland. Follow my travel adventures and loads of dogs on Instagram @astaclivo 🐶✈️

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