O guia para conhecer o Pantanal

O guia para conhecer o Pantanal

Um bando de tucanos cruza o céu, na terra os tuiuiús desfilam à procura de alimento, há alguns jacarés na beira do rio a tomar sol. No entorno, árvores intocadas pelo homem dançam com o vento e anunciam: estamos no Pantanal. Destino ainda pouco comum entre os brasileiros, é também essencial a qualquer bucket list de viagens. Seja pela descrição acima, pela possibilidade de ver de perto uma onça-pintada ou somente para observar o céu tomado por estrelas, é uma trip essencial para conhecer um dos mais bonitos locais do nosso país.
A ocupar uma área de aproximadamente 150 mil quilômetros quadrados, a maior planície inundável do mundo se estende pelos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As duas principais cidades para a visita são Poconé, no primeiro, e Corumbá, no segundo, sendo esta última conhecida também como a capital pantaneira.
Para os turistas, que em maioria são estrangeiros, o ingresso é feito por meio de fazendas, que dispõem de uma série de modalidades de hospedagem, em pacotes que incluem diversos passeios pela área alagada. É possível, por exemplo, fazer observação de animais de hábitos noturnos em total breu, navegar por um rio para acessar diferentes áreas alagadas, fazer trilha em meio à floresta e ainda cavalgar e até mesmo pescar piranha.
Longe do asfalto, das luzes e barulho das cidades, o Pantanal celebra a vida em sua mais pura essência, ainda alheia aos severos impactos decorrentes da ação do homem. É, antes de tudo, uma viagem de descoberta ao Brasil e, por que não, a si mesmo.

Como chegar no Pantanal

A maior área do Pantanal (65%) fica na região noroeste de Mato Grosso do Sul, fazendo fronteira com a Bolívia. A maior cidade e com melhor estrutura para receber visitantes é Corumbá, que preenche a região pantaneira no estado ao lado de Aquidauana, Miranda, Anastácio e Ladário. Já no Mato Grosso, fica o restante da área, com destaque para a cidade de Poconé, que concentra a melhor estrutura para receber turistas e é também o ponto de partida da rodovia Transpantaneira.
Portanto, a depender de onde você está, pode ser mais rápido e/ou barato começar a sua viagem por Campo Grande (MS) ou Cuiabá (MT). Se a opção for pelo primeiro, tanto por ônibus ou avião, após a chegada na cidade você vai precisar de um transporte extra até a região de Corumbá. São pouco mais de 400 quilômetros, em estradas de boa qualidade. Você pode tanto usar um transfer para ir até uma das fazendas (muitas já incluem isso em seus pacotes) ou alugar um carro.
Já se você preferir ter como ponto de partida Cuiabá, terá de ir até a região de Poconé, cerca de 100 quilômetros distante. O esquema é o mesmo: transfer ou alugar um carro. A viagem de ônibus, em ambos os destinos, pode acabar não sendo vantajosa porque, para visitar o Pantanal, você vai precisar estar dentro da área de alguma fazenda e não há muita acessibilidade em chegar até esses locais com transporte público.

Quantos dias ficar no Pantanal

Um mínimo de dois dias é a recomendação para conhecer o básico do Pantanal. É claro que, se você quiser uma experiência mais intensa, sempre poderá optar por um roteiro com maior duração. Mas se a ideia é aproveitar um feriadão ou mesmo um final de semana, já vale a pena para ver de perto esse lugar incrível e sentir a energia sem igual que a natureza oferece.

Onde ficar no Pantanal

Hostel Road Riders

Para visitar o Pantanal, por regra, você precisa estar dentro de uma fazenda. Esta é a parte que mais pode pesar no bolso, porque conforme o local escolhido, o preço da estadia por um final de semana, por exemplo, pode variar de R$ 500 a R$ 3 mil. Este é um destino muito visitado por gringos, o que faz com que os preços não sejam muito atrativos a mochileiros. Mas, é claro, há sempre opção. Em algumas, você pode levar barraca e saco de dormir e utilizar somente o banheiro, o que pode tornar a viagem mais acessível. Mas, claro, depende do local. A dica é sempre fugir dos que possuem nomes em inglês, porque estão quase sempre focados nos turistas estrangeiros e, portanto, com preços mais altos.
Em geral, a alimentação é fornecida pela fazenda, não há comércio perto, então fica sem sentido você mesmo cozinhar, porque teria de comprar todos os alimentos antes de chegar lá. Mas isso não chega a ser um problema, já que é comum servirem uma comida caseira, feita em fogão a lenha e que é simplesmente deliciosa.
Há ainda algumas fazendas que possuem autorização para monitorar alguns animais, via chips em coleiras com rastreamento por satélite ou GPS. Então, acaba por ser quase garantido que você verá uma onça-pintada, por exemplo. Mas, claro, também vai pagar, e muito, por isso. Ainda assim, nas fazendas que não contam com este tipo de oferta, você consegue ver uma imensa variedade da fauna brasileira: tucanos, araras, tuiuiús, capivaras, jacarés, piranhas, macacos, enfim, todos livres e em perfeita harmonia com a natureza.
Para baratear a viagem, você pode ficar em hostels em cidades próximas e fazer os passeios nas fazendas no estilo day-trip, mediante disponibilidade. Algumas opções são o Dom Alberto Hostel e o Hostel Road Rides em Corumbá (MS), o  Hostel Portal do Pantanal ou o Home Guest House em Campo Grande (MS) e o Pantanal Backpackers, em Cuiabá (MT). Há ainda alguns que oferecem pacotes privados de passeios, como o Pantanal Hostel Safari Tours, em Cuiabá (MT).
E quem quiser aproveitar a estadia na região para explorar outras áreas igualmente incríveis, pode conhecer Bonito (MS), com hospedagem no Bonito Hostel ou no Che Lagarto Suítes, por exemplo.

O que fazer no Pantanal

A única regra em uma viagem ao Pantanal é provocar o mínimo impacto possível à natureza. Logicamente, não deixe lixo jogado (e isso vale para todos os lugares do mundo) ou tente segurar os animais para interagir com eles ou lhes dar algum tipo de alimento. Respeite o ambiente e as pessoas. O povo pantaneiro é extremamente receptivo e amigável e, não raro, você vai encontrar pessoas que trabalharam com a equipe da novela Pantanal, lá no começo dos anos 1990. Esteja atento às histórias, são incríveis.
Quanto aos passeios, as opções mais comuns são andar de barco por um rio, acessando assim imensas áreas alagadas onde não é possível chegar de outra maneira e, por consequência, experienciando a fauna e a flora em seu modo mais original. Há ainda a possibilidade de fazer uma trilha em meio a um bosque, para conhecer as espécies de plantas e árvores típicas da região e uma cavalgada, em geral ao final de tarde, onde o sol se pondo é um espetáculo à parte. Há ainda uma atividade de focagem noturna, para ver alguns animais que só saem à noite, e a pesca de piranha, com direito à preparação do peixe para o almoço da galera.
O breu noturno é um presente à parte, pois só a possibilidade de ver as estrelas sem que sejam ofuscadas pelo brilho das luzes de uma grande cidade, é um espetáculo que fala por si. Além disso, há muito silêncio e provavelmente você vai acabar por ser acordado ao nascer do sol, com pássaros a cantar. Não existe melhor forma de descansar e renovar as energias.

Quanto custa viajar para o Pantanal

Os gastos variam sempre conforme o estilo da viagem. Há fazendas que oferecem preços acessíveis se a hospedagem ocorrer na área de camping ou dormitório compartilhado e, claro, quem quiser um quarto privado e cheio de luxos, terá de pagar mais por isso. É importante destacar que, em geral, os valores disponíveis nos locais já incluem as três principais refeições do dia, hospedagem e passeios. Já o gasto com transporte depende da companhia aérea ou rodoviária contratada. O mesmo para o transfer ou aluguel de carro para se chegar até as cidades pantaneiras.

Gastronomia no Pantanal

A gastronomia pantaneira tem influência de outros países sul-americanos. O grande destaque são os peixes pacu, pintado e dourado, que podem ser fritos, cozidos ou assados, além do tradicional caldo de piranha. O churrasco com mandioca e carne seca, o tereré (erva-mate servida gelada em uma espécie de cuia feita com chifre de boi), a chipa, a sopa paraguaia, a saltenha e a bocaiúva também fazem parte dos pratos típicos do Pantanal. Além, é claro, da famosa cachaça pantaneira. Se você é alérgico ou tem alguma restrição alimentar, é melhor verificar com a fazenda as opções de alimentação disponíveis, porque elas ficam muito longe dos grandes centros e seria complicado ter de sair de lá só para ir ao mercado.
O que levar na viagem
Repelente é o mais importante. Esqueça qualquer coisa em casa, menos o repelente. Também é recomendado usar roupas claras, porque os insetos são mais atraídos pelas cores escuras. E eles podem picar até mesmo entre os tecidos, então passe sempre o produto em todo o corpo, para evitar desconforto. Se for alérgico ou tiver hipersensibilidade aos insetos, não esqueça de levar pomada ou medicação. Como é uma área úmida, os mosquitos estão mesmo por toda a parte.
Além disso, é preciso também estar protegido da exposição ao sol. Leve ainda mochilas pequenas para os passeios, capa de chuva (caso faça a viagem na época de chuvas), calça comprida para o passeio a cavalo, chapéus ou bonés, botas ou tênis, e roupas leves e confortáveis para caminhadas, e algum agasalho para não ser surpreendido por uma queda brusca de temperatura. Além disso, não se esqueça das câmeras ou celular para registrar tudo e, para uma melhor observação, binóculos e lanterna, que podem ser muito úteis especialmente para quem fica em zona de camping.
Vacinação
A vacina contra a febre amarela não é obrigatória para uma visita ao Pantanal, mas a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul aconselha a imunização, a ser feita ao menos dez dias antes da viagem. As vacinas são fornecidas gratuitamente pela Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde em três aeroportos (Guarulhos, Congonhas – SP, Campo Grande – MS), na rodoviária de Corumbá, em postos de vacinação de todo o país e ainda nas divisas dos estados de Mato grosso e Mato Grosso do Sul.

Cuidados

Não é recomendado fazer trilhas e passeios sem o acompanhamento de um guia local. Os animais vivem soltos por toda a região e é importante saber em quais zonas é seguro andar. As onças-pintadas podem não parecer uma ameaça real, mas lá há também muitas cobras por lá, então evite ser imprudente. Também não se deve tomar água dos rios, córregos ou lagoas e, menos ainda, alimentar os animais ou se aproximar muito deles. Não se trata de um zoológico a céu aberto, mas sim da oportunidade em vivenciar a natureza com o mínimo impacto possível. Os passeios, em sua maioria, são seguros e tranquilos também para crianças, idosos ou mesmo pessoas com mobilidade reduzida.

Variação climática

A temperatura média no verão é de 30 graus e, no inverno, pode chegar a 10 graus. O clima é tropical semi-úmido. Na região, as estações do ano são bem definidas, com verão bem quente e inverno mais frio. Entretanto, há variações climáticas a cada mês, que conferem características ainda mais especiais ao Pantanal, portanto é importante observar o período da viagem para que possa desfrutá-la de melhor maneira:
Janeiro e Fevereiro: Período das cheias onde os passeios de barco são o ponto forte para contemplar toda a flora pantaneira e admirar belas paisagens alagadas;
Março e Abril: Período das cheias, rico em flora, principalmente plantas aquáticas, belas paisagens, concentração de mamíferos, início da chegada das aves, clima quente no fim do dia, dias longos, chuvas;
Maio, Junho e Julho: Período da vazante (transição da cheia para a seca). Época muito rica em aves, principalmente o colheireiro, e também de répteis e pequenos jacarés. As noites são mais frias e dias secos e ensolarados.
Agosto e Setembro: Período de nascimento dos filhotes nos ninhais, rios bem mais secos, cores lilás e rosa nos ipês. É período bom para pesca, sem chuvas, com vegetação seca, muitos répteis e mudanças bruscas de temperatura.
Outubro, Novembro e Dezembro: Preparação da saída das aves do ninhal, concentração de pequenas aves, rios e vegetações secas, clima quente, flores nos aguapés e um belíssimo pôr do sol.
*FONTE: Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul

📚 Sobre A Autora 📚

Jornalista, leitora, viajante y otras cositas más. Uma forasteira que se perde no mundo para, no instante seguinte, poder se encontrar. Seis países visitados mais o Brasil, e contando! Siga no Insta

Share The World!
INSTAGRAM
EMAIL
Facebook
Facebook
GOOGLE
GOOGLE
/blog/o-guia-para-conhecer-o-pantanal/?lang=pt-br
Youtube

Sobre o Autor

Laura Carniel

I'm Laura, Brazilian, and I'm obsessed with dogs, films, sharing good stories with friends and discovering quirky places. Social Media & Content Executive and #HostelworldInsider at Hostelworld. 🌏 Favourite place on earth: London, UK. 🏠 Favourite hostel: Oki Doki Hostel - Warsaw, Poland. Follow my travel adventures and loads of dogs on Instagram @astaclivo 🐶✈️

Inspire-se

Deixe um comentário

Seu email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios. Campos obrigatórios são marcados com *

Aplicativos de Celular Hostelworld

Faça a reserva no caminho com os novos aplicativos móveis da Hostelworld.

Download on App Store Download on Play Store

Pesquise e reserve mais de 33.000 propriedades em 170 países, onde você estiver.