Motivos que te farão se apaixonar pelo Marrocos

Motivos que te farão se apaixonar pelo Marrocos

Trazendo a surpreendente combinação das culturas africana, árabe e berbere. Ostentando paisagens incríveis que vão desde os encantos do Mar Mediterrâneo até a imensidão do deserto. Passando pela generosidade do Oceano Atlântico e chegando até imponência de suas montanhas que parecem que foram esculpidas à mão.

Isso tudo se reúne no Marrocos, país que está ali, bem no Norte da África, a um suspiro de distância da Europa. Eu te garanto: esse país tem de tudo para conquistar o seu coração (inclusive se você for mulher, como eu!) e merece um plano de viagem para o futuro, seja próximo ou distante. Então vem comigo descobrir os motivos que te farão se apaixonar pelo Marrocos.

Ser invadido pela explosão de sensações que é caminhar por uma medina

As medinas são as partes mais antigas das cidades árabes, que, em geral, eram construídas entre muralhas, justamente para proteger a região das invasões inimigas. Dentro desses muros, a vida se desenvolvia, geralmente ao redor de uma praça principal, de onde iam nascendo pequenas ruas, com antigas casas e comércios.

📷 alicemaffucci

Hoje em dia, as medinas são os centros históricos das cidades e boa parte das muralhas ainda permanece na maioria das cidades do Marrocos. Caminhar por essas ruelas, sem dúvidas, é uma verdadeira aventura. Isso porque, por ali, você vai encontrar de tudo, uma explosão de cores e sensações entre encantadores de cobras, pessoas pintadas com henna, vendedores de tudo o que for possível de se vender e, de quebra, tuktuks (tentando desafiar as leis da física e provando que, sim, dois tuktuks ocupam o mesmo lugar no espaço).

Pode parecer um tanto quanto caótico, mas, para além do caos, é a mais pura materialização de uma cidade viva e intensa. E intensidade tem de sobra por lá – ah, e no meio desse caos, não precisa se preocupar, tome os devidos cuidados, como em qualquer outro lugar do mundo, mas o Marrocos é um país seguro, com taxas de criminalidade bem baixas.

Além disso, é interessante sair da Medina e observá-la de fora também, agora com mais tranquilidade, vendo o contraste entre a parte mais antiga da cidade e a modernidade.

As cidades de uma cor só

Você já deve, pelo menos, ter visto uma foto de Chefchaouen: a cidade azul! No meio das lindas motanhas marroquinas, esse pedacinho de terra monocromático é fascinante. Acredita-se que foi o povo judeu que morava dentro da Medina que começou a colorir a cidade, numa tentativa de reproduzir uma versão do paraíso. A verdade é que, ao caminhar pelas ruazinhas do local, parece que você está andando dentro de um reflexo do céu na terra. O melhor programa é se perder por essas ruelinhas lindas, ir descobrindo lugares únicos e admirando essa beleza autêntica.

 📷 manusama

E Chefchaouen não é o único lugar com essa peculiaridade no Marrocos. Marrakech é conhecida como a cidade vermelha (é meio terra cota, na verdade) e essa foi, justamente, uma das coisas que mais me impressionou assim que cheguei lá. Por estar tão perto do Saara, dizem que é para não contrastar com a cor do deserto e facilitar a camuflagem o que, em épocas de conflito, era muito relevante. E, de fato, fica bem camuflado. Mesmo ao sair de Marrakech, passando pelas montanhas do Atlas em direção ao Saara, a região toda segue a mesma tonalidade e parece ter saído de um filme. Os povoadinhos são inacreditáveis, tudo muito singular, numa mistura de imponência e simplicidade.

Barganhar nos Souks – em várias linguas

Os Souks são os mercadões dentro da tal Medina, justamente onde se vende de tudo um pouco: temperos, essências, óleos, couro, cerâmica, prata, os mais variados artigos de decoração e artesanatos locais, criados até onde a imaginação permitir. E, olha, tem muita coisa linda! Sabendo que dá mesmo vontade de trazer tudo para casa, a dica é pechinchar: Para eles é praticamente cultural negociar os preços. Então, é preciso deixar a vergonha de lado e se jogar na barganha, porque, por experiência própria, os vendedores começam falando os preços nas alturas, mas no final chegam a praticamente 50% do valor.

📷 alicemaffucci

Inclusive, ao mergulhar nessa experiência, você vai perceber mais um ponto positivo: é muito fácil se comunicar por lá. A população, em geral, fala vários idiomas! As línguas oficiais são o árabe e berbere, mas quase todo mundo também fala francês, além de ser super comum falarem espanhol (já que é bem pertinho da Espanha) e também inglês. Pode mesmo ficar tranquilo, comunicação não é o problema.

Surpreender-se com Marrakech à noite

Sabendo que o islamismo é a religião predominante e que o Marrocos vive sob o regime monárquico, eu sinceramente tinha aquela ideia prévia de que tudo seria mais “fechado” e, principalmente à noite, as pessoas não sairiam muito às ruas, achei que não encontraria muitas coisas abertas… Que engano!

📷 pcjvdwiel

Principalmente em Marrakech, na praça Jemaa El-Fna, que é o centro da medina, eu tive uma ótima surpresa: a cidade é super viva à noite! Toda agitação do dia continua, dessa vez com o charme do céu, das luzes… O pátio central é tomado por várias barraquinhas (bem organizadas! Juro, não fica caótico) vendendo comidas típicas, com atendentes super simpáticos, onde turistas e locais se misturam e aproveitam a culinária local. É um programa super bacana.

Dormir no deserto do Saara

Eu digo tranquilamente que essa foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. Tudo nessa aventura é especial: eu fiz o passeio saindo de Marrakech, que é o mais comum, e cada lugarzinho do caminho é um encanto. As estradas, que vão deixando para trás as cores de Marrakech e passando pelas montanhas do Alto Atlas cuidadosamente delineadas pela neve, te presenteiam com povoados lindos, como Ait Bem haddou (que é quase camuflado na paisagem) e te levam, pouco a pouco, até a paz dos berberes no deserto.

📷 alicemaffucci

Chegar ao Saara é mágico. É uma imensidão que te engole, fascina e preenche. Você pode fazer o caminho de dromedário, subindo as enormes dunas, vendo (e mais que isso, sentindo) o pôr do sol naquele infinito, até chegar a uma tenda, bem no meio do deserto, onde você passa a noite. E a noite no deserto é generosa: são estrelas até onde a vista alcança, fazendo você duvidar se o céu não está mais iluminado que durante o dia – e eu, sinceramente, acho que sim. Na minha tenda, ainda tinha uma fogueira e muita música típica, foi mágico! Para completar, no dia seguinte, ver o nascer do sol fecha com maestria essa jornada extraordinária.

Apreciar a arquitetura Islâmica

A arquitetura Islâmica é um espetáculo à parte. Tendo como características marcantes as colunas, os arcos (muitos, muitos arcos) e as cúpulas milimetricamente detalhadas por mosaicos e arabescos, é impossível passar por esse país sem “perder” uns (ou vários) minutinhos admirando as mesquitas, as tumbas/mausoléus e os palácios – e vale muito a pena! Geralmente as construções possuem jardins centrais, harmonizando a natureza com a ação humana, otimizando o uso da luz e a temperatura.

📷 MekssiMed

Você sai de lá tão maravilhado que já aprende a reconhecer a arquitetura islâmica em outros lugares do mundo (a região da Andaluzia, no sul da Espanha, por exemplo, é toda assim também! Já dá para saber de onde veio).

Hospedar-se em um riad

Os riads são, em geral, os tradicionais palácios antigos, que foram brilhantemente recuperados e que são amostras perfeitas da riqueza da arquitetura árabe. Trazendo uma atmosfera intimista e aconchegante, você precisa ter a experiência de dormir em um e se encantar por cada detalhe.

Em Marrakech, o hostel WakaWaka promete uma vibe única, com direito a musica berbere em um terraço super charmoso, especialmente feito para você admirar as luzes da cidade pela noite. A diária, com café da manhã, custa em torno de R$ 28,00. O hostel Riad Dia também é uma ótima opção. Segue o estilo tradicional de um riad, mas vai além: o pátio central, típico da arquitetura islã, conta com uma piscina! A localização é ótima, tem café da manhã e a diária custa em torno de R$ 30,00.

📷 Hostel Riad Dia 

Em Chefchaouen, o hostel Casa Amina é um riad que harmoniza com os traços arquitetônicos da região e tem dois terraços com vista panorâmica, o que te possibilita ver um pôr do sol deslumbrante! Ah, e ele tem o melhor preço de quartos privados: custam por volta de R$40,00 por noite.

Apesar de parecer distante, é fácil de chegar e, estando lá, as coisas são baratas

O Marrocos pode parecer bem longe do Brasil, mas têm váaarias formas de chegar. Para quem preza mais pelo conforto, tem voo direto do Brasil, para quem quer uma experiência diferente, dá para sair de ferry boat da Espanha e, na minha opinião, a melhor opção: as companhias aéreas lowcost voando da Europa para lá! Por 20 euros eu saí de Madri e cheguei em Marrakech 😮

📷 stratageme

Para melhorar, as coisas lá no Marrocos são bem em conta. Geralmente, 1 euro equivale a 10 ou 11 dirhans marroquinos. Em relação ao real, R$ 1,00 vale em torno de 3 dirhans. Considerando que um café da manhã completo vale menos de 10 dirhans e um almoço caprichado em um restaurante simples custa em torno de 30 dirhans, o preço da viagem é bem atrativo! Além disso, tem muita oferta de comida de rua, que eu achei bem honesta e comi sempre, fazendo com que fique ainda mais barato.

Comida para todos os gostos

E falando em comida, tem váaarias opções para além do couscous marroquino, que é todo especial por lá e já é, de certa forma, familiar para o nosso paladar. Vale um destaque para o tagine (que é um cozido de legumes, às vezes com carne) e as mil opções de entradinhas e pastinhas, com o pão árabe original. Mas se prepare psicologicamente preparado para comer muuuuito cominho, já que essa especiaria é base do tempero de lá.

📷TheUjulala

Ah, e, por favor, experimente o suco de laranja! Sério, eu não sei o que fazem com a laranja por lá, mas eu te garanto que esse país tem o melhor (e mais barato!) suco de laranja do mundo. A praça Jamaal El-Fna está cheia de carrinhos vendendo esse néctar dos deuses.

Maaas você vai estar em um país diferentão, então vale apostar em um menu diferentão também, né? Lá é super comum a sopa de lesma (caracol) e a cabeça de cabrito assada inteira, com cérebro e tudo… Para os estômagos mais fortes e mais corajosos, vale experimentar! Depois me conta, porque eu não tive coragem não.

*Tá, mas e para as mulheres… Como é viajar por lá?

De fato, somos países culturalmente muito diferentes e isso não dá para ser simplesmente ignorado. Há uma diferença de crenças, costumes e mesmo de modo de encarar a vida. Como mulher, também me preocupei bastante antes de ir e já tinha lido relatos de todos os tipos, mas sempre tive em mente que era preciso respeitar o espaço do outro, o país do outro e me adequar àquela realidade (por mais que não concordasse completamente) enquanto eu estivesse ali. E foi exatamente assim que eu fiz.

📷 alicemaffucci

Como o uso da burka e do lenço não é obrigatório para as marroquinas (apesar de ser comum), me senti mais à vontade. Em geral, usei calça e blusa de alcinha e acho que a dica é sempre ter um lenço por perto, para cobrir os ombros quando achar necessário, ou os cabelos se for preciso (e no deserto é útil para proteger a cabeça do sol também).

Na minha experiência, não passei por nada fora do comum, nada desconcertante ou que me incomodasse demais. Não dá para negar que você atrai alguns olhares, afinal, você é o diferente ali, mas, como disse, não foi nada que extremo incômodo, foi tudo bem tranquilo, dá para viajar para lá sem grandes preocupações, dá para curtir e se encantar pelo país sendo quem você é!

Deixo aqui também os relatos de outras duas viajantes que também foram para o Marrocos e são interessantes para olharmos a questão por outros pontos de vista:

A Mari diz assim:

“O Marrocos foi uma viagem incrível. As paisagens mudam de montanhas com neve para desertos, os mercados são cheios e coloridos… Aliás, acho que colorido é uma palavra que descreve bem o Marrocos. Não senti nenhuma diferença no tratamento por ser mulher, nem me senti assediada em momento algum. Eu também estava acompanhada de amigos (incluindo homens) todo o tempo nas cidades maiores e no interior estava sempre com guias turísticos. Uma inglesa que morava comigo viajou sozinha com duas amigas para Tanger e também não sentiu diferença de tratamento. As pessoas geralmente são muito simpáticas, principalmente nos lugares turísticos. Nos mercados eles têm um ritual na hora de comerciar, o que pode parecer meio rude ou insistente às vezes. Nada que não se pegue o jeito.”

E a Débora acrescenta:

“Visitar o Marrocos é uma experiência única. Em todos os sentidos, positivo e negativo. Falo da perspectiva limitada de quem está em apenas uma cidade, muito próximo ainda da Europa e da cultura ocidental, e no local há menos de 24h. A arquitetura é incomparável, a cultura árabe e muçulmana é riquíssima, muitas pessoas são extremamente gentis, hospitaleiras e curiosas. Aqui em Tânger, em locais muito turísticos ou comerciais, as pessoas falam árabe, francês, inglês e espanhol, pelo menos. Além disso, as paisagens são incríveis e a posição geográfica torna tudo mais interessante ainda. Mas caramba, é difícil ser turista mulher aqui. Sozinha, em três mulheres, tivemos que recorrer a ônibus de turismo (dos quais sempre fugimos) para não ser perseguidas e assediadas verbalmente nas ruas de maneira muito intensa, inclusive por meninos adolescentes. A tensão é constante. Não é recomendado que mulheres bebam em público e ou cruzem olhares com homens. Assim, assimilando essas limitações, adequando nosso comportamento, contornando o que gostaríamos que fosse diferente e crescendo com cada olhar curioso e cada sorriso gentil, aprendemos a viajar. Grandes experiências são feitas também de pontos delicados, se levarmos como conhecimento e formos também curiosos e abertos.”

📷 debssander

 

O Marrocos é, sem duvidas, um país único, que harmoniza, como poucos lugares no mundo, a força de suas cidades com os encantos da sua natureza, a sua autenticidade com o seu povo curioso, atento e gentil. É um destinos mais atraentes para quem se permite viajar com a mente e o coração abertos, é mágicoe desafiador, trazendo em si o seu próprio aconchego. É mesmo um país bem diferente do nosso, mas com respeito tudo se encaixa! E como mulher, não custa lembrar: é preciso estar atenta e forte – sempre!

 

📚 Sobre a autora 📚

Sou a Alice Maffucci. Depois de morar em Nova Iorque, em Lisboa e na Colômbia, assumi que sou dona de um “coração vagabundo que quer guardar o mundo em mim” e de um desassossego permanente na alma que, vira e mexe, me faz por a mochila nas costas – sempre com um livro de poesia dentro. Posto meus devaneios sobre esse mundo aqui no meu Instagram.

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Sobre o Autor

Iami Gerbase (Hostelworld)

Hi! My (weird) name is Iami and I'm a Brazilian journalist tired of hearing "You don't look Brazilian". I love to taste street food, read at the beach and watch Naked and Afraid. 🌏 Favourite place on earth: Praia de Palmas, SC, Brazil. 🏠 Favourite hostel: Bananas Bungalows, Krabi, Thailand. You can follow my travels on Instagram: @iamigerbase.

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