Mochilão pelo nordeste: eles fizeram e contam todas as dicas!

Mochilão pelo nordeste: eles fizeram e contam todas as dicas!

Olá! Me chamo Alluan e sou um dos idealizadores do projeto Caras do Mundo (CdM). Em junho deste ano, eu e mais dois amigos, o Glaucio e o Vitor, partimos em direção ao norte do país para o primeiro #MochilãoCdM pelo Brasil \o/. A aventura, que começou em Belém do Pará, região norte, e terminou no aeroporto de Vitória, Espírito Santo, teve como roteiro principal o litoral nordestino. Foram 36 dias desvendando praias paradisíacas, maravilhas naturais, cidades históricas, festas juninas e uma cultura que esbanja diversidade e alegria.

Glaucio, Alluan e Vitor em Canoa Quebrada (CE)

Dentre diversos assuntos possíveis, separamos alguns tópicos que podem ser relevantes em uma decisão de mochilar pelo Nordeste. Exceto em algumas cidades, como Pipa, no Rio Grande do Norte, o turismo pela região é mais dominado por viagens familiares. Mas mochilar pelo nordeste foi, e é, POSSÍVEL.

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Roteiro

Com as passagens de ida e volta compradas, nosso desafio foi encaixar a grandiosidade do nordeste dentro de um roteiro de 36 dias. A trip, que começou pela região norte do país, em Belém do Pará, passou por todos os 9 estados nordestinos e algumas de suas principais cidades turísticas.

Olinda (PE)

PA | Belém > Ilha de Marajó

MA| São Luís > Santo Amaro > Barreirinhas

PI | Parnaíba

CE | Jericoacoara > Fortaleza > Canoa Quebrada

RN | Natal > Pipa

PB | João Pessoa > Campina Grande

PE | Olinda > Recife > Porto de Galinhas

AL | Maragogi > Maceió

SE | Aracaju

BA | Salvador > Morro de São Paulo > Porto Seguro

Segurança

Com o crescimento e migração do crime organizado no país nos últimos anos, infelizmente muitas cidades do norte e nordeste tornaram-se as mais perigosas do Brasil e a segurança passou a ser um ponto de preocupação.

Em Belém, considerada uma das capitais mais violentas, e em algumas cidades nordestinas, principalmente nas áreas do centro, fomos avisados por moradores para termos cuidado com os celulares. Mas em nenhum momento vimos algo suspeito ou nos sentimos em risco. Saímos bastante para lugares movimentados e, seja nas festas juninas populares nas quais participamos ou nas fun fests lotadas da Fifa, vimos policiamento e nenhum incidente.

Festa de São João em Campina Grande (PB)

Imagino que a falta de casos possa contar também com a prevenção já naturalizada de um carioca: em espaços públicos, não deixar celular, dinheiro e carteira em bolsos frouxos, evitar áreas desertas do centro e as demais precauções compartilhadas por quem vive em cidade grande.

Nas cidades pequenas, como Soure, no Pará, nos sentimos bastantes seguros, nos permitindo até pedalar por 2h no breu, voltando do centro até a vila de pescadores em que estávamos hospedados. O único medo nesse momento era dar de cara com algum dos milhares de búfalos que habitam a ilha.

Na festa de São João de Campina Grande, uma das cidades mais perigosas do Brasil, fomos avisados sobre o perigo de algumas tradicionais confusões que rolam em uma determinada parte do Parque do Povo, local onde ocorre a festa, mas nem mesmo lá presenciamos alguma coisa. Inclusive, fomos embora caminhando da festa, durante a madrugada.

Pelourinho, Salvador (BA)

No Pelourinho, em Salvador, há muitos pedintes, o que pode ser um pouco chato e tornar necessária uma atenção extra aos pertences, mas nada aconteceu também. Já em Fortaleza, o Uber até nos espera entrar em casa, algo que não costuma acontecer no Rio.

Ou seja, se você é brasileiro e frequenta grandes cidades, já deve saber muito bem se cuidar e atentar aos possíveis perigos. Então, ao viajar pelo nordeste, assim como enquanto viaja por qualquer lugar do mundo, não dê aquela vibe de “turista perdido”, ouça seus instintos e fique ligado nos seus pertences o tempo todo.

Transporte

Não foi difícil achar transporte para o nosso roteiro descendo o nordeste. Algumas rodoviárias são um tanto distantes do centro, como a de Recife, mas em todas é possível encontrar saídas diárias para as cidades principais. Em quase todas é cobrado uma pequena taxa rodoviária, além do valor da passagem, algo não usual nos terminais do Rio e de São Paulo. Nos trajetos mais longos, como de Aracaju a Salvador, exploramos as viagens noturnas, queridinhas do mochileiro, que nos fazem economizar em hospedagem e não perder tempo no roteiro.

Marco Zero, Recife (PE)

Para conhecer os pontos turísticos e sair a noite, como estávamos em três, os aplicativos de transporte foram as melhores escolhas, com preços até mais em conta do que os cobrados no Rio e em São Paulo. Metrô não é algo tão presente no norte e nordeste, então só o utilizamos em Recife. Em algumas capitais, o serviço de compartilhamento de bicicletas também ajudou bastante, em Belém, principalmente, conhecemos diversos pontos turísticos através do Bike Belém, por R$10 o plano mensal.

Para chegar a algumas cidades pequenas, como Barreirinhas e Santo Amaro, no Maranhão, a alternativa foi o transfer agendado pelo hostel, que costumam sair bem cedo para a chegada já emendar no tour. Em alguns trajetos, como de Fortaleza à Canoa Quebrada, a opção mais em conta foi contratar um tour, que parou em alguns pontos turísticos pelo caminho e nos deixou na cidade.

Lençóis Maranhenses (MA)

Em alguns destinos de barco, como Alcântara no Maranhão, a maré louca do litoral nordestino pode atrapalhar o roteiro. Vale ficar atento a isso.

Hospedagem

O povo nordestino é um dos principais motivos para se viajar pelo nordeste – e é na hospedagem que esse ponto se destaca. A acolhida durante toda a viagem foi incrível. Desde o nosso redário, em uma vila de pescadores na Ilha de Marajó, até um hostel argentino paz e amor em Jericoacoara, passamos por anfitriões que nos contaram histórias da região, nos deram diversas dicas e nos fizeram sentir em casa.

Farol da Barra, Salvador (BA)

Na maior parte da viagem, nos hospedamos em hostels e encontramos diárias que variaram em torno dos R$30! Em algumas pequenas cidades turísticas, como Santo Amaro, albergues não existem e a única alternativa são as pousadas, com um preço mais caro.

Quanto às reservas, a maioria realizamos um dia antes de chegar na cidade. Prática que pode ser arriscada se a viagem for no verão, período considerado de alta temporada. Em junho, também se torna alta temporada nas cidades famosas pelo São João, como Campina Grande, então cuidado ao fazer isso.

Mini guia de hostels no nordeste brasileiro:

Alguns hostels de destaque:

Alimentação

Destaque para o sabor e para o preço! Na maioria dos lugares em que passamos, conseguimos encontrar refeições a R$10, até mesmo na gourmet Jericoacoara, no Ceará.

Camarões em Jericoacoara (CE)

No quesito pratos típicos, a culinária paraense e a culinária nordestina fazem jus a fama. Em Belém, pudemos experimentar os famosos pratos Maniçoba e Tacacá, iguarias da culinária amazônica, além do Peixe com Açaí, oferecido no Mercado Ver-o-Peso. Em Soure, comemos o melhor prato da viagem em minha opinião: filhote, um peixe amazônico de água doce, com queijo marajó, produzido a partir de búfala. Uma delícia!

No Maranhão, comemos o tradicional arroz de cuxá. Em Fortaleza, as tapiocas. Em Jeri, camarões enooormes. Muito baião de 2 e cocadas por todo nordeste também. Em Salvador, no Pelourinho, não pudemos deixar de experimentar o acarajé com vatapá e caruru.

O famoso acarajé das baianas em Salvador! Foto: LiadePaula/MinC

Um destaque para os drinks também, principalmente para a cachaça de jambu, erva tradicional do Pará, e para as caipirinhas com frutas regionais do nordeste, como o cupuaçu. Em Olinda, experimentamos ainda o Axé, famosa bebida afrodisíaca da cidade.

Clima

Calor, calor, calor! Viajamos durante o inverno no hemisfério sul, mas parece que Belém e o nordeste ignoram este fato. O vento do litoral e as sombras de árvores foram as salvações enquanto nos aventurávamos a dar uma volta pelo centro histórico das cidades durante o dia.

Morro de São Paulo (BA)

Frio, só conseguimos sentir em Campina Grande, interior da Paraíba. Chuva, poucas vezes. No mais, todo restante do roteiro clamou por água e mergulho no mar gostoso do nordeste.

Preços

Nos 36 dias que o nosso mochilão durou, tirando as passagens aéreas de ida e volta, gastamos em torno de R$4.800 cada um, em média, R$134 por dia. Esse valor considera todos os gastos da viagem: alimentação, transporte, bebidas, tours e alguns regalos.

Praia do Amor (RN)

Como comentado acima, as diárias em hostels pelo nordeste variaram em torno de R$30 e é possível se alimentar bem sem gastar muito. Então, com a experiência de três mochilões pela América Latina, em que os valores médios diários ficaram em torno dos R$170, podemos constatar que, para nós, mochilar pelo nordeste ficou um pouco mais em conta do que pelo restante do continente.

(Vale pontuar que, em Fortaleza, ficamos dois dias na casa de familiares do Vitor, o que nos fez economizar um pouco. Mas, não se preocupe, os hostels em Fortaleza tem bons preços, iniciando em R$30 a diária).

Outras dicas

Cada cantinho do nordeste tem sua beleza guardada, mas alguns tours são muito similares em relação ao que propõem e revelam. Se estiver com tempo e dinheiro curto, vale a pena pesquisar para economizar e evitar conhecer mais do mesmo.

Maragogi (AL)

Nos Lençóis Maranhenses, por exemplo, é possível chegar a partir da cidade de Barreirinhas ou de Santo Amaro. Há quem vá para as duas, porém Santo Amaro, de mais difícil acesso, é conhecida pelas maiores dunas e lagoas. Barreirinhas vale muito mais a pena pelo tour ao incrível Rio Preguiça.

Uma outra importante dica para economizar no transporte é aproveitar os tours de bate e volta oferecidos por agências de turismo, principalmente nas capitais. De Fortaleza à Canoa Quebrada, e de Natal à Pipa, fechamos preços mais em conta do que o valor do ônibus de uma cidade a outra e ainda visitamos alguns pontos turísticos pelo caminho. Na hora em que o tour retorna à capital, basta ter informado que ficaria na cidade e não voltaria no ônibus.

Ilha das Canárias, Delta do Parnaíba (PI)

A última dica é tentar ao máximo viver a experiência de estar no nordeste. Conversar com o sotaque arretado da vendedora de coco, se maravilhar com um casal dançando forró, conhecer a história das cidades, se divertir com os últimos lançamentos do brega, se permitir um longo cochilo pós-almoço em uma rede à beira mar.

Seja pelo povo encantador e a sua cultura, ou pelos incríveis cenários paradisíacos, visitar o nordeste vale MUITO a pena!

 

📚 Sobre o autor 📚

Alluan é um dos idealizadores do projeto Caras do Mundo, um projeto digital e colaborativo que, através de multieditorias, tem a missão de abordar a cultura do Brasil e do mundo, impulsionando o conhecimento democrático, a troca de experiências e a valorização da diversidade. Você pode seguir as viagens dos três pelo site e Instagram.

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Sobre o Autor

Iami Gerbase (Hostelworld)

Hi! My (weird) name is Iami and I'm a Brazilian journalist tired of hearing "You don't look Brazilian". I love to taste street food, read at the beach and watch Naked and Afraid. 🌏 Favourite place on earth: Praia de Palmas, SC, Brazil. 🏠 Favourite hostel: Bananas Bungalows, Krabi, Thailand. You can follow my travels on Instagram: @iamigerbase.

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