Guia completo da Argentina: tudo o que você precisa para visitar os hermanos!

Guia completo da Argentina: tudo o que você precisa para visitar os hermanos!

A Argentina é a primeira viagem internacional de muitos brasileiros. Pela proximidade, pela facilidade de acesso e pelo custo relativamente baixo, é uma escolha quase natural. E como escolhemos bem!

Essa é a terra do mate e do asado, do gaucho e do porteño, do tango e da chacarera. As paisagens dos glaciares milenares da Patagônia, da vastidão dos pampas, da vitalidade das águas de Iguazú, das parreiras a perder de vista de Mendoza, da cosmopolita e sempre cativante Buenos Aires.

Confira as informações práticas indispensáveis para organizar a sua viagem e os melhores destinos para explorar no país hermano.

Informações práticas

Principais destinos

INFORMAÇÕES PRÁTICAS

Moeda e dinheiro

A moeda local é o peso argentino, disponível em cédulas de 5, 10, 20, 50, 100, 200, 500 e 1000 e em moedas de 5, 10, 25 centavos e 1, 2 e 5 pesos. Na capital, as notas costumam estar inteiras, mas no interior o estado é deplorável – tem que cuidar pra não rasgar.

Para economizar, priorize o dinheiro em espécie, cash. Embora a lei obrigue todos os estabelecimentos a aceitarem cartões de crédito e débito, na prática não é bem assim. Os comerciantes frequentemente cobram de 10 e 20% a mais para passar o pagamento na maquininha.

Além disso, ao pagar com cartão de crédito internacional, a cotação é calculada somente no dia do vencimento da fatura. Em épocas de disparada do dólar na Argentina, isso pode trazer surpresas. Você deve apresentar um documento sempre que pagar com cartão de crédito, então não se esqueça de levar RG ou passaporte sempre consigo.

Câmbio

Esse sempre é um tema polêmico na Argentina.

Historicamente, os altos e baixos da economia e a falta de confiança no peso fez com que os argentinos preferissem guardar suas economias em dólar. Por exemplo, observe nas ruas como as imobiliárias sempre fixam o valor das propriedades na moeda americana.

A política econômica da ex-presidente Cristina Kirchner tentou mudar isso impondo o controle cambial, mas as medidas somente contribuíram para novos nomes e distintas cotações no país – dólar oficial, dólar blue, dólar turista, dólar bolsa… Imagina a confusão!

O atual presidente, Maurício Macri, prometeu acabar com isso e liberou de vez a compra e venda de dólar. O objetivo era acabar com o mercado paralelo.

Mas a verdade é que a economia segue instável. E o câmbio negro continua forte, ainda que com diferenças menores em relação ao oficial. Basta uma caminhada pelas ruas Lavalle ou Florida, em Buenos Aires, para ver os arbolitos (cambistas, parados na rua como árvores) anunciando taxas diferentes das casas de câmbio.

Lembrando que essas operações, embora extremamente comuns, são ilegais e têm seus riscos. Durante o tempo que morei em Buenos Aires, eu trocava dinheiro regularmente em uma galeria na Florida, em frente à loja da Zara, e nunca tive problemas de notas falsificadas.

Na dúvida, não arrisque. Troque o seu dinheiro ao chegar, em uma das agências do Banco de la Nación nos aeroportos Ezeiza ou Aeroparque, ou nas corretoras de câmbio da Calle Sarmiento, como a Maguitur (rede presente em todo o país) e a Multifinanzas. Atenção, essas corretoras funcionam somente em dias de semana, das 10h às 16h. Fora de Buenos Aires, vale mais a pena trocar dólares do que reais.

Quanto custa

Viajar para a Argentina não é caro. Em épocas de desvalorização do peso argentino, como agora, é até bastante vantajoso. Lembrando que as taxas de câmbio oscilam muito e a inflação rapidamente eleva os preços na Argentina. Os valores desse texto foram calculados segundo a cotação de setembro/2018: R$1 = $9.

Passagens aéreas

Em média, saindo do Rio de Janeiro ou de São Paulo, as passagens aéreas ida e volta custam entre R$800 e R$1.100, mas há promoções frequentes a partir de R$500.

Hospedagem

A acomodação, o segundo maior gasto na viagem, também não é cara. Em Buenos Aires, você paga cerca de R$30 a diária em um quarto compartilhado de um bom hostel. Quartos duplos custam entre R$100 e R$150. Ao sul, na Patagônia, esse valor facilmente dobra; em cidades como Mendoza e Córdoba, o custo é similar; e ao norte, pode ser até 2/3 do preço.

Alimentação

Comer fora não é absurdamente caro. O menu del día em restaurantes custa entre 200 e 300 pesos, ou R$22-30. Uma parrilla sai de 450 a 600 pesos (R$50-65) por pessoa. Lanches na rua são ainda mais baratos: um choripan (pão com linguiça) custa 60 pesos (R$6) e uma empanada 30 (R$3,50). Nos mercados, você encontra bons rótulos de vinho a partir de 100 pesos (R$11).

Transporte

Para os padrões brasileiros, o transporte público em cidades argentinas é ridiculamente barato. Para você ter uma ideia, o metrô em Buenos Aires custa $7,50 pesos, o equivalente a 80 centavos de real. Para ônibus, a tarifa varia em função da distância e, por isso, é necessário informar o seu local de desembarque ao motorista. Difícilmente custa mais de $12 pesos (meros R$1,30). Mesmo taxi ou uber não são caros.

Para transporte interurbano, imagine que uma viagem de ônibus de Córdoba a Mendoza (616km, 11h de viagem) custa aproximadamente $1000 (pouco mais de R$100); de El Calafate a El Chaltén (213km, 4h de viagem), $600 (R$65); de Bariloche a Buenos Aires (1580km, 22h de viagem), $1400 (R$155). Viajar de avião é um pouco mais caro, claro, mas ainda sim a low-cost FlyBondi ajuda a se manter dentro do orçamento: o trecho de Buenos Aires (Aeroporto El Palomar) a Mendoza custa a partir de $400 (R$45) e a Bariloche $900 (R$100).

Passeios

Os passeios turísticos dependem muito da região e do tipo de atividade. Alguns exemplos: o passeio de barco (2h30-3h) pelo Canal Beagle, em Ushuaia, custa $2.700 (R$300); o tour para Salinas Grandes e para Quebrada de Humahuaca (10h), a partir de Salta, sai por $1.250 (R$140); e o itinerário de um dia pelas serras ao redor de Córdoba, vale $2.500 (R$280). A regra geral é: quanto mais ao sul e mais exótica a atividade, mais caro será.

Quando ir / Clima

Nossos hermanos aqui no hemisfério sul têm as mesmas estações que a gente. O extenso território argentino se distribui entre muitas latitudes, de norte a sul, o que contribui para diferentes temperaturas em cada região dependendo da época do ano. O melhor mês para visitar Mendoza certamente não é o mesmo para visitar a Patagônia. Outro fator que influencia é a altitude: o país tem territórios essencialmente planos e outros de alta montanha, junto à Cordilheira dos Andes. Nesses, as temperaturas são mais frias e há uma amplitude térmica maior (noites frias, dias quentes).

📷 consls

Buenos Aires pode ser aproveitada todo o ano, mas o melhor mesmo são as estações intermediárias, de abril a junho e de outubro a dezembro. As temperaturas de dia são amenas e as noites um pouco mais frias; o começo do outono tende a ter mais chuvas. O inverno é, naturalmente, a estação mais gelada, e também a mais seca. O seu auge pode ser desagradável para os que detestam frio, mas dificilmente insuportável. No verão, o calor é intenso e as temperaturas podem facilmente chegar a 40ºC. Nessa época, os portenhos aproveitam as férias e fogem da capital.

Aliás, o verão é uma época complicada para viajar também pelo norte do país. Além das temperaturas elevadíssimas e da sensação abafada, é a época chuvosa, quando caem intensos aguaceiros nas regiões de Salta e Jujuy. Para o nordeste do país, onde está Misiones, as chuvas dão uma trégua. Os meses que antecedem o verão também são bem quentes, por isso, a melhor época para essa zona do país é o começo do outono.

Essa é uma boa época também para a região central, onde estão Córdoba e Mendoza – no mês de março, a colheita das uvas durante a vendimia faz deste o melhor destino do país.

O outono também transforma as paisagens dos arredores de Bariloche, no norte da Patagônia, que é invadida pelos tons amarelados, alaranjados e avermelhados na vegetação local. Mas a verdade é que os brasileiros preferem visitar essa região a partir de julho, quando começam a cair os primeiros flocos de neve e as estações de esqui são abertas aos turistas.

Para a Patagônia e Tierra del Fuego, a zona mais austral do país, o melhor é ir no verão, entre os meses de dezembro e março. As temperaturas são agradáveis, mas, por ser uma época de ventos fortes, a sensação térmica pode ser menor que a temperatura mostrada no termômetro. Ainda sim, os dias longos e ensolarados compensam. Em lugares como Ushuaia, o sol se põe às 22h, o que possibilita aproveitar ao máximo o dia.

Documentação

Não é exigido passaporte para viajar ao Chile, basta apresentar o RG como documento. Ele deve estar em bom estado de conservação e com uma foto que permita a sua identificação. Cópias autenticadas não são aceitas.

Um dos requisitos de entrada no país é declarar o local onde você vai se hospedar. A maioria dos postos da aduana simplesmente ignora essa exigência, mas é bom ter o nome e o endereço de um hotel, mesmo se você não tiver reserva, caso você pegue um funcionário mal humorado (aconteceu comigo!).

Segurança

A Argentina é um país seguro, com baixos índices de violência e uma das menores taxas de homicídio na América Latina (4,7 a cada 100 mil). Mesmo Buenos Aires é bem mais tranquila que se imagina. Claro, alguns pontos da capital é melhor evitar, mas a maioria desses lugares está fora do eixo turístico. A exceção é o bairro La Boca e os arredores da estação Constitución, onde não se recomenda andar sozinho, principalmente à noite.

A gente bem sabe que, onde tem turista, tem sempre alguém querendo tirar vantagem. Casos de agressão ou roubo à mão armada são raros, mas existem batedores de carteira e trombadinhas que levam bolsas. Cuidado em lugares de grande concentração de pessoas, como o metrô e suas estações, a calle Florida, a Feira de San Telmo e o Caminito.

Além disso, taxistas têm fama de golpistas. Muitos fazem caminhos desnecessariamente longos para encarecer a corrida, então acompanhe o trajeto em aplicativos no seu celular e demonstre ter uma noção do melhor trajeto. Um golpe recorrente é trocar uma cédula de maior valor por uma de menor (como a $100 por uma de $10 ou a de $500 por uma de $50) e cobrar mais dinheiro, alegando que o turista se confundiu. Uma dica é sempre anunciar em voz alta a nota que você está passando.

Idioma

A gente bem sabe que cada país da América Latina tem as suas particularidades ao hablar español. Os argentinos têm um castelhano tão singular que a gente reconhece na hora de onde eles vêm.

Pra começar, o sotaque. Eles tem aquela entonação mais ritmada, que lembra o jeito cantado dos italianos. Isso não é à toa: a imigração italiana foi a mais numerosa no país a partir do final do século 19.

Em segundo lugar, a maneira de pronunciar o “LL” e o “Y”, um som equivalente ao nosso ch. Isso faz com que muitas palavras se pareçam às suas correspondentes em português, como “llorar” (chorar), “llamar” (chamar), “llegar” (chegar), etc.

E enfim, temos o uso do pronome pessoal “vos” (bastante parecido com o nosso você) no lugar do “tú”, comumente usado na Espanha e no resto da América Latina – a exceção é o Uruguai, que segue a mesma variedade argentina, o espanhol rioplatense.

Para fazer a concordância, se utiliza uma forma verbal da segunda pessoa no plural. Em vez de falar “si tú quieres, lo puedes hacer”, um argentino diria “si vos querés, lo podés hacer”. É por causa dessa conjugação que o argentino dá aquela puxadinha ao pronunciar a última sílaba.

Esse uso é tão normal que até a publicidade e comunicados institucional já incorporaram o “vos” em sua linguagem. Mas não se preocupe! Se você fala espanhol e tá acostumado com o “tú”, vai ser entendido sem problemas.

Por essas e outras, muitos brasileiros acham que o espanhol mais fácil de aprender é o argentino. O negócio pode complicar um pouco quando metem as gírias na jogada. Por isso, seguem as expressões mais utilizadas pelos nossos hermanos:

Dicionário de gírias

  • al pedo – desocupado, sem fazer nada, entediado
  • en pedo – bêbado, borracho
  • ni en pedo – algo que você não faria de nenhuma maneiro, o nosso famoso nem f*dendo
  • bajón – algo ruim, chato ou que não deu certo
  • buena onda – o contrário de bajón, um lugar ou uma pessoa com energia boa
  • boludo/a – literalmente, significa algo tonto ou idiota (se usa muito como substantivo, “hacer boludeces”); num uso informal entre amigos, é mais como um cara, brother
  • pibe/piba – moleque, guri, e seu correspondente feminino
  • el chavón ou el flaco – o menino, o cara, o homem, usado ao contar uma história para se referir a alguém que você não lembra ou não quer dizer o nome; el flaco geralmente soa mais respeitoso
  • che – é uma interjeição pra chamar a atenção de alguém, “che, no sabes lo que me pasó”; se usa muito seguido de boludo
  • re – significa “muito”, sinônimo de muy ou mucho, como “sós re boludo”; também é usado ao final de frases como “ah re” para expressar o contrário do que quis dizer ou para ser sarcástico
  • boliche – festa, balada, noite
  • copado ou zarpado – muito legal, maneiro
  • guita ou mango – gírias para dinheiro
  • cheto – um lugar ou uma pessoa metida, riquinho, playboy ou patricinha
  • facturas – são os diversos tipos de doces de massas folhadas vendidos em padarias, que os argentinos comem até para o café da manhã; a mais clássica é a famosa medialuna (parecida ao croissant)
  • quilombo – uma bagunça, um caos; uma maneira mais educada de dizer é lio
  • flash ou flashear – algo louco, delirante; quando usado como verbo é tipo o nosso “viajar”

Telefones úteis

  • Código de área +54
  • 911: Sistema central de emergências
  • 100: Bombeiros
  • 101: Polícia
  • 105: Emergência ambiental
  • 107: Emergência médica (apenas Buenos Aires)
  • 131: Centro de informação da Polícia Federal Argentina – para consultas e denúncias que no sejam urgentes
  • 144: Conselho Nacional da Mulher (casos de violência de gênero)
  • 15 4199.9668 (+54 9 11 4199668 se discado de um telefone brasileiro) – Consulado-Geral do Brasil na Argentina, número para chamada ou Whatsapp em casos de comprovada emergência, como violência, desaparecimento, morte, acidente ou prisão.

 

PRINCIPAIS DESTINOS

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Buenos Aires

Os portenhos, moradores de Buenos Aires, costumam achar que este é o centro do mundo. Quando você conhece essa cidade tão vibrante, tão multifacetada, com uma oferta infindável de cultura, restaurantes e entretenimento, até dá para entender o porquê.

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A Plaza de Mayo é o epicentro da vida política nacional e está rodeada por vários edifícios importantes historicamente, como a Casa Rosada, o palácio presidencial (vale reservar online a visita gratuita nos sábados, domingos e feriados); o Cabildo, antigo centro administrativo da colônia espanhola, e a Catedral Metropolitana.

Outra praça importante é a do Congresso Nacional, situada a 10 quadras de distância da primeira pela Avenida de Mayo. Nesta via estão teatros, cafés elegantes e edifícios impressionantes. Dois pontos de destaque são o Café Tortoni, antigo ponto de encontro de intelectuais e boêmios, e o Palacio Barolo, uma construção inspirada na Divina Comédia. Tendo mais tempo, vale a pena fazer o tour guiado para descobrir as analogias e referências à obra de Dante Alighieri e para apreciar uma belíssima vista.

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Cruzando a Avenida de Mayo, está a Av. 9 de Julio, que já foi considerada a mais larga do mundo. Pessoas com menos maturidade vão brincar de atravessá-la sem que o sinal fique vermelho (é extremamente difícil sem correr, mas não impossível!). Nesta avenida estão o Obelisco, um monumento de 67 metros de altura, e o Teatro Colón, uma suntuosa casa de ópera. Nessa região central, vale conhecer ainda as ruas Lavalle e Florida, duas vias para pedestres com um movimentado comércio de rua. Nesta última se encontra as Galerias Pacíficos, um centro comercial luxuoso.

Possivelmente o cartão-postal mais famoso de Buenos Aires seja o Caminito, em La Boca, um conjunto de casebres de zinco pintados em cores chamativas. Apesar de seu valor histórico – assim, em cortiços conhecidos como conventillos, viviam muitos imigrantes recém-chegados à cidade -, a atração é um tanto decepcionante. Para não perder a viagem, vale visitar a Fundación Proa, uma galeria de arte (entrada paga) ou a Usina del Arte, um centro cultural com teatro, exposições de arte, espetáculos de música e dança (tudo grátis!), em meio às instalações de uma antiga usina elétrica.

Ali do lado está o bairro de San Telmo, famoso pela feira de antigüidades que acontece todos os domingos na Plaza Dorrego – com direito a apresentações de tango ao ar livre e muitos turistas, é claro. Nos arredores você encontra o Mercado de San Telmo, com uma variada oferta gastronômica. San Telmo é igualmente agradável (se não mais) em outros dias da semana, quando é possível sentir o clima convivial do bairro, vagar pelas ruas com seus antigos casarões decrépitos e explorar mais tranquilamente o comércio local.

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Na região portuária, entre San Telmo e o centro, Puerto Madero é um grande projeto urbanístico: revitalizou uma antiga área de armazéns abandonados e hoje tem o metro quadrado mais caro da cidade. Um dos destaques é a Puente de la Mujer, obra de Santiago Calatrava que dizem representar um casal dançando tango. Essa região é muito agradável para um passeio de fim de tarde. Bem pertinho, está o Centro Cultural Kirchner (CCK), o maior complexo cultural da América Latina.

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Já o bairro de Recoleta é o que todos imaginam ao comparar a capital portenha com cidades europeias: avenidas largas e arborizadas, edifícios sofisticados, lojas de grifes internacionais e bons restaurantes. Entre os maiores atrativos estão o Cementerio de la Recoleta, com os mausoléus da aristocracia argentina; o El Ateneo, sem dúvida uma das livrarias mais bonitas do mundo, instalada em um antigo teatro; o Museo Nacional de Bellas Artes, a maior coleção de arte do país; e o Centro Cultural Recoleta, com uma programação cultural diversa e inteiramente gratuita.

Palermo é a zona jovem e cosmopolita de Buenos Aires. São bares e cafés descolados, junto com muita arte urbana e lojas independentes. De atração mesmo, é possível citar o Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba), cuja arquitetura é tão interessante quanto as obras latinas que abriga, e os Bosques de Palermo, uma extensa área verde com diversos lagos e jardins – destaque para o Rosedal, com milhares de rosas. No mais, o interessante é andar pelas ruas e sentir o clima do bairro.

> Onde ficar em Buenos Aires

Localizado na Avenida de Mayo, o Millhouse Hostel é ideal para quem busca um lugar bem localizado e animado. Tem capacidade para mais de 180 pessoas e diariamente são organizadas festas e eventos, garantia de que você vai conhecer outros viajantes. A casa é do século 19, mas está em bom estado, e os quartos são bem amplos. No verão, o terraço é particularmente agradável depois de um dia turistando. O café da manhã, pago a parte, não é dos melhores, então é melhor deixar para comer medialunas num café na rua.

Outra alternativa, o Benita Hostel tem uma capacidade menor e, por isso, costuma ser mais tranquilo. O clima entre os viajantes é mais descontraído e intimista. O hostel está convenientemente localizado entre Palermo e Recoleta, ótimo para quem quer explorar as atrações desses bairros e ter mais opções de bares e restaurantes à noite. Os espaços são bem decorados e a limpeza é muito elogiada. O inconveniente é que eles não aceitam cartão.

Mendoza

Aos pés da Cordilheira dos Andes, Mendoza é o destino do enoturismo argentino por excelência. São mais de 1200 vinícolas, ou bodegas, como eles dizem por aqui, das quais 130 estão abertas à visitação. Os tours consistem em uma visita guiada pelas instalações, às vezes com uma passadinha nos vinhedos, uma aula sobre o processo de produção do vinho, e por fim uma degustação. A maioria custa entre 100 e 250 pesos. Algumas vinícolas oferecem almoços em restaurantes de alta gastronomia, pagos à parte.

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O ideal é programar a viagem com antecedência, porque muitas vinícolas exigem reserva. Como o transporte público é limitado e bebida não combina com direção, o jeito é contratar tours. A Kahuak é a empresa com a maior diversidade de passeios. O Bus Vitivinicola é um ônibus hop-on hop-off, com 5 circuitos principais, que permite ao passageiro descer nas paradas de seu interesse. O bilhete pode ser full-day, com direito a descer em três vinícolas, ou half-day, duas.

São três regiões produtoras: pertinho do centro e inclusive acessível com o transporte público, Maipú, com muitas bodegas tradicionais e produções familiares; Luján de Cuyo, a 25km de distância, com vinhedos imensos e aquela paisagem dos folhetos turísticos; e a mais distante e também a mais moderna, Valle de Uco, a 80km, com hotéis luxuosos e arquitetura inovadora. Você pode conhecer mais as características de cada uma no site de turismo oficial. O mais legal é visitar uma vinícola de cada tipo – uma familiar, uma industrial, uma orgânica, uma boutique… Assim você aprende como é a produção em cada uma.

Nem é preciso dizer que enoturismo é caro né? A opção mais barata é se restringir a Maipú e alugar uma bike para circular entre uma bodega e outra. Mas cuidado nas estradas depois de algumas taças de vinho…

É claro que Mendoza tem mais a oferecer do que apenas bons vinhos. O turismo de aventura também é forte na região. Duas atividades populares são o rafting no rio Potrerillos e as trilhas e escaladas no Parque Provincial Aconcágua, onde se encontra o ponto mais alto das Américas, com 6.962m. Claro que apenas montanhistas experientes encaram o Aconcágua, mas o turista comum também pode desfrutar da paisagem espetacular.

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A excursão chamada Alta Montanha cobre toda essa região: cruza o dique de Potrerillos, atravessa a pré-cordilheira, passa pela curiosa Puente del Inca e chega aos Andes, no ponto mais alto do tour, o Cristo Redentor de Los Andes, a 3.900m sobre o nível do mar. Aliás, esse ponto marca a fronteira com o Chile. Quem segue para a capital Santiago, passa por aqui. Se é o seu caso, confere também o nosso guia completo do país vizinho!

Por fim, a própria cidade merece ser desbravada, entre um passeio e outro. O centro tem seu charme, com a Plaza Independencia, as avenidas cheias de árvores, as praças e o Paseo Peatonal Sarmiento, com várias lojas e cafés. Observe as canaletas nas ruas: são as acequias, canais do sistema de irrigação que armazena a água de degelo das montanhas e abastece a cidade e os vinhedos.

Vale conhecer também o Parque General San Martín, um dos maiores da Argentina, resguardado por portões majestosos. À noite, o agito é na avenida Arístides Villanueva, com um barzinho atrás do outro.

> Onde ficar em Mendoza

Já o Gorilla Hostel é um pouco mais caro, mas tem uma estrutura caprichada. Instalado em uma bela casa, tem um lindo jardim com piscina. Viajantes reclamam que o staff não é dos mais proativos, mas o ambiente como um todo é bem bacana.

O HI Campo Base tem uma localização imbatível, praticamente ao lado da Plaza Independencia. Com as diárias mais baratas de Mendoza, oferece ótimo custo-benefício: a limpeza dos banheiros é boa, a cozinha é bem equipada e o staff é muito simpático. Além disso, oferecem todos os tours da região, a preços mais baratos que se encontra nas agências na cidade. Os donos do hostel, Pablo e Nico, estão sempre lá e fazem de tudo para você ter a melhor estadia possível.

Córdoba

A segunda maior cidade da Argentina tem como principal característica o contraste entre o histórico e o moderno, representado pelas construções do período colonial e pela efervescência da vida cultural e estudantil.

Fundada em 1573 por colonizadores espanhóis, Córdoba foi palco das ações missionárias da Companhia de Jesus, que fundou a primeira instituição de ensino superior do país, o Collegium Maximum, hoje Universidade Nacional de Córdoba, com mais de 100 mil estudantes. Desta época, vale conhecer os edifícios da Manzana Jesuítica, um quarteirão histórico considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Outro atrativo histórico é a Plaza San Martín, o coração da cidade velha. Ali se encontram a Catedral, a mais antiga do país, e o Cabildo, hoje sede do Museu da Memória. Na praça, aos sábados, acontecem apresentações e aulas grátis de tango.

Já o bairro chamado Nueva Córdoba é a parte mais dinâmica da cidade, embora não seja tão nova quanto o nome sugere. Para você uma ideia, um dos seus destaques turísticos, a Iglesia de los Capuchinos, em estilo neogótico, começou a ser construída em 1926. Ao lado da igreja, está o Paseo del Buen Pastor, uma antiga prisão transformada em centro cultural. Em frente, a fonte tem um espetáculo de águas dançantes a cada uma hora entre 17h e 22h. Esse é um dos lugares preferidos dos cordobeses para aproveitar o fim de tarde e depois seguir para um dos muitos restaurantes da região.

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O Palacio Ferreyra é uma mansão aristocrática que hoje abriga uma coleção de arte. Outro museu imperdível é o Museo Emilio Caraffa, que já valeria a visita por seu valor arquitetônico – o edifício de estilo neoclássico foi ampliado com elementos da arquitetura contemporânea. Para complementar, ainda tem uma boa amostra de arte argentina. Nos arredores, ainda tem o Palacio Dionisi, com exposições de fotografia, e o Museo de Ciencias Naturales. Todos se localizam nas imediações da Plaza España e são gratuitos nas quartas-feiras.

Por ocasião do bicentenário da República Argentina, foram inaugurados vários monumentos na cidade. Dois deles ficam no Parque Sarmiento, o espaço verde da cidade: o Paseo del Bicentenario, um conjunto de 200 anéis coloridos que remetem aos aros olímpicos, e o Faro del Bicentenario, um farol anexo a uma esplanada curva bastante singular (skatistas piram!). Outro projeto foi o Centro Cívico e a sua ponte, próximos do terminal de ônibus.

É no bairro boêmio de Güemes que os jovens se reúnem. Antiga região operária, seus espaços e depósitos abandonados foram de pouco a pouco transformados em galerias comerciais com arquitetura arrojada – destaque para a Muy Güemes, Galería Barrio e Casa Chabacana. Para complementar o charme do lugar, a feira de artesanato Paseo de las Artes acontece todos os fins de semana às margens de La Cañada, um córrego que atravessa a cidade. A rua Belgrano é cheia de bares badalados; para uma autêntica experiência cordobesa, peça uma fernet com coca.

Para além de Córdoba, toda a região serrana em seu entorno é muito bonita. São várias cidades e pueblitos distribuídos em diferentes conjuntos de serras e valles: Sierras Chicas, Paravachasca, Traslasierra, Calamuchita e Valle de Punilla. No site de turismo de Córdoba, você encontra informações sobre cada uma. Seja qual for, uma coisa é certa: a natureza é abundante e as paisagens combinam rios, vegetação nativa, cachoeiras, piscinas naturais e pequenos cânions. Os vilarejos de Alta Gracia, Villa General Belgrano e La Cumbrecita são os destinos mais populares entre os turistas.

> Onde ficar em Córdoba

O modernoso Onas Hostel & Suites é um hostel boutique pensado em cada mínimo detalhe: desde a decoração impecável de todos os espaços até os detalhes dos quartos e dormitórios, todos com ar condicionado, lockers, lâmpadas de leitura e tomadas individuais. Na verdade, mais parece um hotel de luxo do que um albergue, mas os preços são bastante acessíveis. Está localizado numa zona residencial, a uns 20min de ônibus do centro, mas próximo de muitos bares, restaurantes e casas noturnas – aliás, o hostel tem seu próprio bar, aberto ao público, e sempre muito animado.

Instalado em um antigo casarão numa localização privilegiada, o 531 Hostel tem um astral muito bacana. É ótimo para conhecer gente e sempre organizam eventos (asados!), mas não chega a ser um party hostel. O staff também é muito simpático. Os dormitórios são um pouco apertados, mas todos têm varanda ou acesso ao pátio. Alguns quartos tem ventilador, outros ar-condicionado, mas os valores no site são o mesmo (viajando no verão, confirme antes qual você está reservando!).

Salta

Principal centro urbano do norte, Salta é uma ótima base para conhecer os muitos atrativos dessa região, caracterizada pelas paisagens do altiplano. Além da natureza singular, com salares e planícies desérticas, o norte da Argentina também é notável por suas cidades e aldeias históricas, que conservam heranças incas e indígenas.

Fundada no século 16, Salta conserva seu traçado urbano e boa parte da arquitetura deixada pelos espanhóis. Apesar de hoje ser uma cidade relativamente grande, mantém um clima bastante interiorano.

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A Plaza 9 de Julio, com suas fachadas em estilo colonial bem preservadas, os cafés sob as arcadas e os jardins exuberantes, é considerada uma das praças mais bonitas do país. Como em todos centros cívicos das antigas colônias espanholas, aqui estão a Catedral, neobarroca, e o Cabildo, que tem um pequeno museu em seu interior. A visita vale não tanto pelo acervo, mas pela possibilidade de conhecer o interior do edifício e ter uma vista da praça de cima.

A plaza também abriga aquela que, para mim, é uma das atrações mais impressionantes do país: o Museo de Arqueología de Alta Montaña. Uma das manifestações mais impressionantes, e também controversas, do Império Inca são os santuários de alta montanha, nos cumes da Cordilheira dos Andes. Esses lugares eram considerados sagrados e, por isso, utilizados como centros de peregrinação e de realização de rituais. O mais importante deles, chamado Capac Cocha, consistia em oferendas humanas.

Esse é o grande destaque do museu: los niños de Llullaillaco, três múmias de crianças incas de mais de 500 anos, em perfeito estado de conservação. Seus cabelos, pele, roupas e traços são tão preservados que você jura que elas podem acordar a qualquer momento. O museu também exibe e contextualiza 160 objetos encontrados junto com as crianças. Recomendo muito assistir o documentário da National Geographic sobre essa que é uma das maiores descobertas arqueológicas do nosso continente.

Quem quiser ter uma vista panorâmica de Salta, pode subir o Cerro San Bernardo, a pé (uma subida tranquila, de uns 30min) ou de teleférico. Outro atrativo imperdível é a extravagante Iglesia San Francisco e o seu campanário. Merece ser vista tanto de dia, para observar seus detalhes, quanto de noite, sob o encanto de uma iluminação especial.

O grande programa noturno de Salta (e de toda a região, caso você venha a pernoitar em algum dos vilarejos, o que eu recomendo) é assistir a uma peña folclórica, apresentações de música e danças típicas da região. Na rua Balcarce há vários bares e restaurantes, alguns mais turísticos. A peña mais elogiada da cidade é La Casona del Molino, onde os próprios frequentadores da casa levam seus violões e improvisam rodas de música. O lugar é numa zona meio isolada cidade, melhor ir de táxi.

> Passeios de Salta

– Entre os passeios, o mais famoso é o Tren de las Nubes, um percurso de trem que começa a 1.187 metros de altitude e termina a mais de 4.200 metros, em San Antonio de los Cobres. O trajeto de 217km (somente ida) passa por 29 pontes, 21 túneis e 13 viadutos, sendo o mais impressionante deles o La Polvorilla, situado sobre um abismo de 200 metros. As paisagens e a travessia por muitas curvas são de tirar o fôlego. Literalmente! Muitos viajantes ficam sem ar por causa da elevada altitude. Para driblar o mal-estar, vale comprar folhinhas de coca. Mais informações sobre o passeio de trem aqui.

Existem dois circuitos rodoviários clássicos pelos vales Calchaquíes, o grande atrativo natural da região.

– O primeiro percorre a ruta 68, passando pela Quebrada de las Conchas, formada por paredões de rocha vermelha esculpidos pela erosão do vento e da água em formatos únicos; o Anfiteatro e a Garganta del Diablo são alguns dos destaques. O destino final é a cidade colonial de Cafayate, famosa pelas vinícolas produtoras de vinhos de altitude, em particular o branco Torrontés.

– O outro circuito vai de Salta a Cachi pela ruta provincial 33, passando pela Cuesta del Obispo, um caminho em zig-zag com muitas subidas e descidas entre as montanhas da região; pelo Parque Nacional Los Cardones, onde cactus gigantes dominam o horizonte; e por muitas igrejinhas e vilarejos. A vila de Cachi é um encanto: uma sucessão de ruas de pedra e casinhas coloniais brancas.

📷 consls

– A Quebrada de Humahuaca, situada na província vizinha de Jujuy, fascina pelas tradições indígenas, pelo clima desértico, pelos povoados simples e pelo colorido que salta aos olhos. Distintas culturas ancestrais povoaram essas terras há mais de 10.000 anos e deixaram seu rastro em meio a uma natureza exótica. Você pode visitar o vilarejo de Purmamarca, cercada pelo Cerro de Sietes Colores; a vila de Tilcara e seu pucará centenário, um sítio arqueológico datado do século 10; a cidade de Humahuaca e as montanhas multicoloridas com mais de 4 mil metros do Hornocal. Nos arredores de Purmamarca também está Salinas Grandes, um enorme deserto de sal vestígio de um lago que secou há milhares de anos. O ideal é escolher uma cidade como base e fazer bate-voltas para conhecer toda a região.

> Onde ficar em Salta

O hostel Prisamata, a seis quadras da praça principal, está instalado em uma linda casa colonial. Os ambientes em comum são bem tranquilos e o pátio central com redes, em particular, é ótimo para relaxar. Os dormitórios são amplos e têm camas confortáveis, tomada e luzes individuais. O wifi funciona bem, com conexão rápida e estável. Não é dos mais baratos de Salta, mas certamente oferece bom custo-benefício. Além disso, está pertinho do Prisamata Suites, dos mesmos donos, que tem mais quartos privativos.

Puerto Iguazú

Não tem viagem internacional mais fácil que Puerto Iguazú: está localizada na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. De todas as três cidades fronteiriças, é a menor de todas e não particularmente charmosa.

Está a 18km das Cataratas do Iguaçu, que é, naturalmente, o principal motivo pelo qual turistas vêm à região. Muito brasileiros visitam o lado argentino do parque, fazem uma parada rápida no free-shop à beira da estrada, perto da fronteira, e já retornam à pátria amada.

Mas Puerto Iguazú tem suas qualidades. Por ser pequena, é bem mais fácil de circular do que em uma cidade grande como Foz. Não é precisa ficar zanzando por aí para encontrar bares e restaurantes, porque eles estão todos concentrados em poucas quadras. Dá até pra ir e voltar andando. No centro, a rodoviária tem ônibus diretos para as cataratas brasileiras (empresa Crucero del Norte) e argentinas (empresa Rio Uruguay).

E quais são as diferenças entre os lados brasileiro e argentino?

Bom, pra começar a Argentina detém dois terços de todo o conjunto das Cataratas do Iguaçu. É possível chegar mais perto às quedas d’águas e vê-las de cima, enquanto no Brasil se tem uma vista de frente e mais ampla das Cataratas.

O parque tem ótima estrutura, com trilhas bem sinalizadas. O lado brasileiro tem somente um percurso com 1,5km de passarelas, diferente do lado argentino que tem três circuitos principais, totalizando quase 6km de trilhas:

Paseo superior: uma passarela com vistas panorâmicas

Paseo inferior: por dentro da mata, o caminho revela pequenas cachoeiras até chegar a um conjunto de quedas que não se vê bem do Brasil, num ângulo em que você fica praticamente embaixo delas

Garganta del Diablo: a trilha passa sobre ilhotas e sobre o leito do rio Iguaçu até a queda d’água mais famosa do parque, a Garganta do Diabo. É impactante sentir a força e intensidade das águas.

Os dois lados oferecem passeio de barco para se aproximar das cataratas, mas na argentina, o Iguazu Jungle é mais barato, quase metade do preço ($1000, ou R$110, contra R$215 no Macuco Safari), e passa por mais pontos.

No final, os parques brasileiro e argentino oferecem visuais e experiências complementares. Vale dedicar um dia a cada um. A entrada é mais econômica no parque brasileiro, que custa R$36, enquanto o parque argentino cobra $480, ou R$55.

> Onde ficar

Considerando também Foz do Iguaçu, as opções de hospedagem são inúmeras. No geral, a cidade argentina tem albergues mais baratos, enquanto a brasileira tem mais alternativas, até por ser maior. Definir qual é melhor para se hospedar depende do seu roteiro e se você pretende visitar os dois lados do parque nacional.

Em Puerto Iguazú, vale a pena ficar no Nomads Hostel, uma casinha simples, com dormitórios espaçosos, bem iluminados e com ar condicionado. Está super bem localizada, a 5 minutos da rodoviária e numa rua repleta de restaurantes. Conta com jardim e piscina. Bom café da manhã, em particular o bolo de chocolate! Alérgicos a gatos, atenção: são três na casa.

Já em Foz do Iguaçu, a experiência de ficar no Tetris Container Hostel é imbatível. A infraestrutura consiste em 15 contêineres de carga coloridos e dispostos uns sobre os outros de forma muito criativa. Todos os quartos e dormitórios têm ar condicionado. Os hóspedes podem interagir no lounge, no delicioso pátio com piscina ou no jardim interno. Além da proposta arquitetônica diferentona, o hostel também é todo voltado para a sustentabilidade: utiliza energia solar; as águas da chuva são captadas para descargas nos banheiros; o telhado verde reduz a temperatura interna.

Bariloche

Oficialmente chamada San Carlos de Bariloche, essa cidade nos Andes Patagônicos é uma velha conhecida dos brasileiros. Os seus resorts e estações de esqui a popularizaram como um destino de inverno, mas Bariloche é encantadora em todas as estações.

Paisagens dramáticas de montanhas, passeios de teleférico, lagos do mais intenso azul, atividades na natureza, o charme da colonização alemã e a excelente gastronomia – os chocólatras que o digam – são uma constante ao longo de todo o ano.

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Uma boa notícia é que a cidade é bastante acessível para quem depende do transporte público: é possível chegar a quase todos os atrativos de ônibus. Para usar o sistema, é necessário comprar o cartão sube, à venda em quiosques, e recarregá-lo com crédito.

Entre um passeio e outro, circule pelo centrinho de Bariloche para conhecer o Centro Cívico, um conjunto de construções em estilo alpino ao redor da praça central, a Catedral e a Calle Mitre, a rua principal. Aproveite para passar em todas as chocolaterias, concentradas nessa via, e provar a degustação de cada uma antes de escolher a sua preferida! As mais famosas são Mamushka, Rapa Nui e Abuela Goye.

Os lagos e o relevo acidentado são os protagonistas das vistas cênicas de Bariloche. Para apreciá-las, o melhor itinerário é o Circuito Chico, um caminho circular de 30km, que começa a partir da base do Cerro Campanário, a 18km do centro da cidade.

Dá pra ir de carro por conta própria, contratar um tour com as empresas de turismo, percorrer boa parte do trajeto com o ônibus 20 ou mesmo de bike (vá de ônibus até o cerro e lá alugue a bicicleta). Os ciclistas devem ter cuidado, porque em alguns trechos o tráfego é intenso e não há ciclovias. E prepare-se para o sobe e desce!

Subir o Cerro Campanário é o complemento perfeito para o passeio, seja de aerosilla ($300) ou a pé (subida intensa de 1h). Lá de cima é possível ver os lagos Nahuel Huapi, Moreno e Gutiérrez e a Cordilheira dos Andes em todo seu esplendor.

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Do Cerro Otto (teleférico $550) também se tem um lindo panorama, que pode ser apreciado da Confeitaria Giratória, que proporciona diferentes paisagens ao girar 360º. No inverno, há pistas para esquibunda e são feitas caminhadas na neve com raquete.

Já o Cerro Catedral é o principal complexo de inverno de Bariloche. Dá pra levar tombo no snowboard, brincar na neve, aprender a esquiar, fazer esquibunda, descer de tobogã em boias (tubing) e até andar de moto de neve.

São dezenas de pistas de esqui de todos os níveis de dificuldade; as pistas para iniciantes ficam próximas à base e podem ser prejudicadas se houver pouca neve (a época mais garantida é entre o final de julho e comecinho de setembro). Mais informações aqui.

A Villa Catedral, aos pés da montanha, tem hotéis, restaurantes e lojas de aluguel de equipamento – mas saiba que por aqui tudo é mais caro que no centro de Bariloche. O vilarejo fica a 19km do centro e pode ser alcançado com os ônibus 50 e 51.

Quem realmente quer aventura na montanha, a pedida é a Travesía de los 4 Refugios, um trekking de 45km que começa no Cerro López e cruza a cadeia montanhosa até o Cerro Catedral (ou vice-versa), passando pelos refúgios López, Laguna Negra, Jakob e Frey. Em cada um você fica uma noite: é possível acampar ou ficar nos dormitórios (diária média de $400-500 pesos, ou R$44-55).

Também é possível fazer os trechos individuais da travessia. A trilha para o refúgio López é a mais fácil, leva cerca de 3h (ida) e tem vista para os lagos. Já o trekking para o refúgio Frey exige um pouquinho mais (4h de caminhada), mas tem a melhor vista do Cerro Catedral. Consulte mais informações sobre os trekkings aqui.

> Outros passeios na região:

– O Cerro Tronador é um vulcão de 3.491m situado na divisa entre o Chile e a Argentina, a 80km de Bariloche. Ele sustenta vários glaciares, com destaque para o Ventisquero Negro, e ruge como um trovão quando há desprendimentos (por isso o seu nome). Para chegar lá, somente tours com as agências (custam cerca de $1000, mais a entrada do parque $300) ou de carro alugado. Os horários de ingresso são limitados e no inverno o caminho pode ser cortado.

– As navegações pelo lago Nahuel Huapi são os passeios mais caros (e nem adianta cotizar em diferentes agências, o preço é tabelado). A mais procurada é a que cruza o lago com destino a Isla Victoria e ao Bosque de Arrayanes, uma árvore típica da região, com uma madeira avermelhada. Dura 4h-5h e custa $1140/$1320, ou R$125/145, dependendo do tipo de embarcação. O outro passeio de barco vai até Puerto Blest, passando para admirar baías, lagos e cachoeiras. Custa $1320 e dura 5h-6h. Esse itinerário é o trajeto inicial do Cruce Andino, a travessia pela Região dos Lagos entre a Argentina e o Chile, com destino final a Puertos Varas (um dos principais destinos no nosso guia do Chile). Mais infos aqui.

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> Na pacata cidade vizinha de Villa La Angostura, a 80km de distância de Bariloche, começa aquela que é uma das estradas mais cênicas da Argentina, a Rota dos 7 Lagos. São 110km de rodovia margeando os lagos Espejo, Correntoso, Escondido, Villarino, Falkner, Machónico e Lácar, este o mais impressionante, espremido entre os fiordes do vilarejo de San Martin de los Andes. Aliás, essa pequena vila de montanha é um charme que por si só já mereceria a visita. Se for fazer um bate-volta de carro, vá por esse caminho e retorne pelo Paso Córdoba, que tem lindas formações rochosas. Agências também organizam esse passeio. De ônibus, infelizmente, não é possível descer nos mirantes para apreciar a paisagem.

> Onde ficar em Bariloche

Somente hotéis de luxo em Bariloche devem ter uma vista tão fantástica quanto a do Hospedaje Penthouse 1004, situado numa cobertura. Até os dormitórios têm vistas panorâmicas. Com uma atmosfera aconchegante, o hostel conta com uma cozinha grande e bem equipada e áreas em comum para relaxar. O café da manhã é uma delícia, com pão caseiro, geleias, cereais e frutas. Banheiros limpos e boas duchas com água quente. É bom reservar com antecedência, costuma estar sempre cheio!

El Chaltén

Considerada a Capital Nacional do Trekking, El Chaltén é a base para algumas das trilhas mais fantásticas da Patagônia.

Os caminhos estão muito próximos ao pequeno vilarejo e são bem demarcados. Isso permite aos viajantes fazer esses trajetos por conta própria, sem a necessidade de contratar guias. E o melhor, a entrada do Parque Nacional Los Glaciares, nessa região, é gratuita.

As trilhas mais curtas são para o Mirador de los Condores (distância de ida de 1km e duração de 30min) e o Mirador de las Águilas (2km, 50min). Como seus nomes sugerem, são ideais para observar duas espécies de aves típicas da região, em meio à vista panorâmica para as montanhas e para o vilarejo. Os dois estão conectados pela mesma trilha. Dica: é um ótimo lugar ver o nascer do sol.

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O trekking mais popular é a Laguna de los Tres (12,5km, 4h), uma majestosa lagoa aos pés do maciço Fitz Roy, que tem 3.359 m. O trajeto até lá não é fácil, principalmente a parte final. É, na verdade, até bem difícil. Mas a vista compensa toda a energia gasta.

Os hotéis e agências de El Chaltén oferecem um transporte para a Hostería El Pilar ($200, ou R$23), para começar a caminhada a partir desse ponto e poupar esforço. De fato, você economiza quase 2km de distância e uns 500m de desnível. Mas eu recomendo usar o transporte principalmente por causa da paisagem e da vista para o Glaciar Piedras Blancas. Na volta, você retorna pelo outro caminho, passando pela a Laguna Capri. Duas trilhas pelo esforço de uma.

A Laguna Torre (11km, 5h) está na base do Cerro Torre, com 3.100m, e apresenta uma paisagem um tanto parecida. A diferença é que os glaciares, Torre e Grande, são mais proeminentes e muitas vezes é possível ver na lagoa os icebergs que deles se desprendem.

O trekking chamado Lagunas Madre e Hija (10km, 4h) conecta essas duas trilhas e tem acampamentos (gratuitos) ao longo dos caminhos, o Poincenot e o d’Agostini. Ou seja, é possível combinar as trilhas e fazer um circuito de mais dias.

Outras caminhadas são a da cachoeira Chorrillo del Salto (4km, 1h, sem subida), aonde é possível chegar também de carro, e a Loma del Pliegue Tumbado (11km, 4h). Esta, apesar de muitas vezes preterida pelas demais, tem uma vista fenomenal: de um lado o Cerro Torre, de outro o Fitz Roy, e a Laguna Torre ao meio.

Os corajosos podem encarar um trekking de 4 dias, o Circuito Cerro Huemul, um caminho circular ao redor dessa montanha, de onde é possível contemplar o Campo de Gelo do Sul da Patagônia. A trilha é de grande dificuldade e deve ser feita por pessoas com um mínimo de experiência, acompanhadas de guias.

Para descansar um pouco das caminhadas, é possível ir de carro ou com uma empresa de turismo até o Lago del Desierto e o Glaciar Huemul, distintantes 37km da cidade.

Por fim, temos o Glaciar Viedma, menos conhecido que o seu irmão Perito Moreno na cidade de El Calafate, a 220km, apesar de ser maior em superfície. É possível conhecê-lo a partir de uma navegação no Lago Viedma, onde o seu gelo derretido deságua, ou caminhando com grampos sobre suas pedras de gelo nos tours ice trek.

> Onde ficar em El Chaltén

Em estilo casa de fazenda, o Rancho Grande Hostel tem uma ótima estrutura, com vários espaços em comum e dormitórios confortáveis. Os banheiros costumam estar bem limpos e são divididos para homens e mulheres. A localização, embora não esteja bem no centrinho da cidade, vale a pena: está perto da entrada para várias trilhas (acredite, você vai agradecer por isso quando voltar de longa caminhada). O restaurante funciona 24h e você ainda tem duas cozinhas para preparar as suas refeições. O café da manhã, no entanto, é pago à parte e é fraquinho.

El Calafate

Se rebatizassem El Calafate, não faria diferença para muitos dos viajantes que passam ou pretendem passar por aqui. A verdade é que muitos se lembram desse vilarejo patagônico simplesmente como “a cidade do Perito Moreno”.

Um dos maiores atrativos naturais do nosso continente, o glaciar Perito Moreno é de fato estonteante. São 5km de comprimento e paredes de 60m de altura, mas isso não é nada perto da imensidão do Campo de Gelo do Sul da Patagônia, que se estende a perder de vista. Essa é a terceira maior extensão de gelo do mundo, atrás da Antártida e da Groenlândia.

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O processo de formação desse glaciar é um ciclo dinâmico. A neve é compactada pelo seu próprio peso e, depois de anos de compressão de sucessivas camadas, é transformada em gelo glaciar.

Pela força da gravidade e com um empurrãozinho de um rio que corre abaixo, a geleira começa a se deslocar lentamente. De tempos em tempos, as águas do lago Argentino, represado pelo glaciar, fazem pressão sobre o gelo, que provoca desabamentos na borda da geleira e proporciona o espetáculo mais aguardado por turistas.

Várias agências organizam tours para o atrativo, incluindo o translado a partir do centro de El Calafate e guia, a preços similares. A entrada no Parque Nacional Los Glaciares custa $600, ou R$67, e dá acesso a circuitos de passarelas que totalizam quase 4 quilômetros. O operador Hielo y Aventura, com escritório na avenida principal, a Libertador San Martín, detém a concessão de todas as atividades no parque.

É possível observar o glaciar a partir do lago, em uma navegação que custa $500, ou R$55, com transfer e $800, ou R$88, sem transfer. A experiência mais procurada é a caminhada sobre o gelo, que pode ser o MiniTrekking ($4.400, ou R$489/$3500, ou R$389, com/sem translado, respectivamente) ou o BigIce ($7.500, ou R$834/$6.500, ou R$723, com/sem translado, respectivamente).

Apesar do Perito Moreno monopolizar as atenções, outros locais também merecem uma visita. Um deles é o Glaciar Upsala, que pode ser conhecido no passeio à Estância Cristina ou no tour Ríos de Hielo, que inclui também o Glaciar Spegazzini. O Balcón de El Calafate, acessível somente com carros 4×4, é um mirante que proporciona panorâmicas da cidade. O Glaciarum é um centro interpretativo das geleiras, que atrai os turistas por seu bar de gelo.

> Onde ficar em El Calafate

O America del Sur Hostel é um enorme chalé de madeira com uma linda vista para as montanhas. O piso é aquecido e as lareiras deixam o ambiente muito aconchegante, ótimo para tomar um vinho à noite e conhecer outros viajantes. Todos os quartos têm banheiros privativos. Disponibilizam uma cozinha e também oferecem jantar. O staff é simpático e ajuda a agendar passeios e transfer. As diárias, no entanto, não são das mais baratas. Nesse sentido, o Folk Hostel, recentemente inaugurado, vale mais a pena.

Ushuaia

Já ouviu falar do fim do mundo? É assim que a cidade de Ushuaia é conhecida. Ela é, de fato, a mais austral do planeta – inclusive, está muito mais perto da Antártida do que de Buenos Aires. Os chilenos discordam, dizendo que Puerto Williams, um povoadinho do lado chileno do arquipélago da Terra do Fogo, merece o título. Controvérsias à parte, uma coisa é certo: os dois dividem essas paisagens singulares, aos pés dos Andes e na beira do Canal Beagle.

Apesar de habitada pelo homem há milhares de anos e colonizada brevemente por europeus em meados do século 19, Ushuaia é um centro urbano relativamente novo. Foi fundada em 1884, através da construção de um grande presídio, para marcar a presença argentina em terras tão remotas. Hoje, essa instalação funciona como o Museu Marítimo, que conta a história das expedições pela região.

O que fazer depende muito da época do ano. Muitos brasileiros optam por ir a Ushuaia no inverno, com o propósito de esquiar no Cerro Castor e fazer atividades na neve, como andar de trenó com cachorros, moto de neve ou quadriciclo (que são, é claro, alguns dos passeios mais caros na região). De fato, aqui está a temporada de inverno mais longa da América do Sul, entre fim de junho e fim de setembro. Em compensação, os dias são curtos.

O verão é a época para ir à Isla Martillo e andar entre os pinguins. A temporada é de outubro a março, mas o auge da migração é a partir de janeiro, quando a ilha recebe até 20 mil pinguins. O passeio pelo Parque Nacional Tierra del Fuego também é imperdível e nos meses mais quentes do ano é particularmente agradável. Entre os principais atrativos estão a Laguna Negra, a Baía Lapataia, a cachoeira do Rio Pipo e o Lago Roca.

Excursões tradicionais dão um bom panorama, passando por dentro do parque em vários desses pontos e também pelo Correio, o mais austral do mundo, onde você pode carimbar sua cartinha. Quem preferir, pode fazer a Senda Costera, uma trilha de 8km às margens Bahía Ensenada que apresenta surpreendentes paisagens ao longo do caminho. Outra alternativa é percorrer o parque com o Trem do Fim do Mundo, o antigo transporte para os prisioneiros que cortavam lenha.

O parque está a 12km da cidade e a melhor forma para chegar até lá é contratando um transfer, oferecido por várias empresas em diferentes horários do dia (consulte preços com as agências locais).

Também mais agradável no verão, a navegação pelo Canal Beagle já vale a pena só pela vista que oferece de Ushuaia com a cordilheira nevada ao fundo. Os catamarãs, que saem do porto turístico, levam ao encontro de lobos-marinhos, que podem ser avistados o ano todo, e também ao emblemático farol Les Eclaireurs.

Outros passeios na região vão ao Glaciar Martial, de onde se tem uma belíssima vista da cidade, e à Lagoa Esmeralda, de impressionantes tons verdes (exceto no inverno, quando fica congelada). É possível contratar tours ou chegar a esses locais com o serviço de ônibus línea regular. Consulte os horários no posto de informações da Secretaria de Turismo.

> Onde ficar em Ushuaia

Bastante simples, o Torre al Sur Hostel tem um ambiente bem familiar. O atendimento é feito pessoalmente pela proprietária, Marisa, e sua filha, Ana, que explicam todos os passeios da região e ajudam a organizar o roteiro e fazer as reservas necessárias. O hostel é muito limpo e o aquecimento funciona bem. Quartos confortáveis, com lockers, e banheiros com água quente 24h. A cozinha é bem equipada, mas só pode ser utilizada até as 20h. Pagamento apenas em dinheiro.

 

📚 Sobre a autora 📚

Apesar de ter vivido metade da sua vida no sul do Brasil, só quando morou em Buenos Aires a jornalista Constance Laux começou a falar tchê e tomar mate. É viciada em mapas, não viaja sem seu Kindle e já caiu do beliche do hostel (algumas vezes). Você pode acompanhar suas viagens no Instagram.
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Sobre o Autor

Iami Gerbase (Hostelworld)

Brazilian journalist tired of hearing "You don't look Brazilian". Loves to taste street food, read at the beach and watch Naked and Afraid. Would also like to be able to live in Florianópolis, Hanoi and Paris at the same time.

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