É perigoso viajar para a América Central?

É perigoso viajar para a América Central?

Em nossa gigante América, a América Central é muitas vezes considerada a região mais perigosa do continente. A má fama tem total relação com a pobreza e instabilidade política, heranças de conflituosos processos de independência e principalmente de anos de intervenções armadas dos Estados Unidos na região, as chamadas Guerras das Bananas.
Além do fato dos países serem rota de passagem de drogas da América do Sul à América do Norte, o que alimenta as ‘maras’, gangues locais, muitas surgidas nos EUA e que hoje operam o tráfico e a imigração ilegal.

50 Cidades mais perigosas do mundo

Mas esse triste cenário, muito parecido com o da América do Sul, vem sendo convertido pelos governos centro-americanos nos últimos anos. Um ponto que ilustra bem essa superação é o ranking das 50 cidades mais perigosas do mundo, que anos atrás contava com muitas cidades da América Central e que hoje figura com mais cidades brasileiras (17) do que cidades de todo subcontinente centro-americano.
San Pedro Sula em Honduras, por exemplo, já esteve em 3º lugar, e no último ranking, divulgado ano passado, caiu para o 26º, atrás de cidades brasileiras como Natal, Fortaleza e Salvador. O levantamento é feito com base em taxas de homicídios por 100 mil habitantes e desconsidera cidades de países em conflito bélico aberto, como algumas do Oriente Médio.

Você pode conferir a lista no site da BBC Brasil (dados de março 2018).

Tendo 42 cidades latino-americanas na relação, os dados só comprovam que atualmente viajar pela América Central nos exige a mesma cautela e preocupação do que viajar pelo restante da América Latina, principalmente o Brasil.

Nossa experiência mochilando pela América Central

Em agosto de 2017, eu e mais dois amigos, Vitor e Raphael, viajamos por 5 países da América Central: Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras e Guatemala. A viagem durou 34 dias, começando em Bogotá, na Colômbia, e terminando em Cancun, México.

Panamá

Porta de entrada da maioria dos roteiros pela América Central, Panamá é o país mais seguro e desenvolvido da região, já eleito até pelos moradores como o melhor para se viver no mundo. Sua capital, Cidade do Panamá, abriga edifícios tão altos que deram ao país a fama de Dubai latina. Talvez por tudo isso, Panamá foi o único país em que nos foi solicitado apresentar nossa passagem de volta ao Brasil. Durante a semana que estivemos por lá, não nos sentimos inseguros em nenhum momento.

Costa Rica

O país mais caro da América Central também apresenta segurança acima da média da região. Devido aos preços, nossa passagem por ele foi bem curta. Diferente de muitos países, Costa Rica não tem uma capital tão turística, mas por conta de sua localização central, passar por San José é inevitável enquanto se viaja por lá.
Na noite em que foi preciso dormir na cidade, no caminho ao hostel, vimos ruas meio desertas e alguns pontos que pareciam de consumo de drogas. Não sei se foi pela região central em que ficamos hospedados, mas a capital costa-riquenha não nos transpareceu a mesma segurança do restante do país.

Nicarágua

Foi o país em que passamos o maior tempo da viagem. Considerado por muitos mochileiros o melhor destino do subcontinente, Nicarágua é o maior país da América Central e um dos mais baratos para se viajar. Tem passado por alguns problemas devido à instabilidade política que assolou o país no ano passado, mas continua sendo o melhor custo-benefício da região.
O único caso de risco que vivemos por lá foi na cidade de San Juan del Sur, onde tentamos ir de ônibus assistir a desova noturna das tartarugas, sem contratar um tour. Chegando na praia deserta descobrimos pelos militares que faziam a proteção da reserva que não havia ônibus de volta a cidade depois daquele horário. Foi preciso então torcer para um tour chegar e nos aceitar levar de volta.

Honduras

É em Honduras que o quesito segurança começa a preocupar acima da média. Além da crise política pela qual passou recentemente, junto a El Salvador o país esta dentro da atuação das maras, gangues que já o levaram a ser considerado o país mais perigoso do mundo. Porém, como já citado, esse é um titulo que vem sendo superado.
Por lá, só passamos rapidamente pela caótica capital Tegucigalpa e seguimos em direção a turística e maravilhosa Roatan, um ilha paradisíaca no norte do país, que parece ser uma região a parte dos problemas sociais hondurenhos.

Guatemala

Um país apaixonante, de ótimos preços e de um povo acolhedor, mas que compartilha dos mesmos problemas dos vizinhos mais pobres da América Central, como pobreza e os conflitos entre gangues.
Não passamos por nenhum caso de risco durante os dias que viajamos por lá, mas se recomenda aumentar atenção na moderna capital, Cidade da Guatemala, onde a violência urbana está mais presente e nas fronteiras terrestres, pontos críticos da rota de imigração.

Fronteiras

Passamos por 5 fronteiras terrestres subindo a América Central em direção ao norte, mesma rota do tráfico de drogas e da imigração legal. Não houve nada grave, mas aí já surge a primeira dica, se puder escolher, faça o caminho inverso. Com certeza economizará em riscos e algumas burocracias nas travessias. Quando atravessamos da Guatemala ao México, passamos uma situação chata ao precisarmos da ajuda de um homem para cambiar alguns pesos mexicanos, que depois insistiu querendo alguma gorjeta e dizendo que poderia nos levar aos coiotes.
A única fronteira em que não cruzamos por terra foi entre Colômbia e Panamá, que fizemos de avião, por ser o único ponto em que a Rodovia Panamericana é interrompida, devido ao estreito de Darien, região conhecida como a selva mais perigosa da América Latina, pela densa floresta e pelo domínio histórico de narcotraficantes.
Um outro ponto em que decidimos evitar foi de chegar a Cancun por Belize. Quando estávamos na Guatemala, fomos avisados por mais de uma pessoa que, apesar do país não exigir visto, muitos brasileiros são barrados na imigração quando tentam realizar essa travessia. Preferimos então chegar a Cancun, via Palenque no México.

Na maioria das fronteiras é preciso pagar uma taxa de entrada e/ou saída, em algumas é preciso até tirar cópias de documentos preenchidos na hora, então reserve sempre algum dinheiro local para a saída dos países e para o país seguinte também, pois nem sempre há câmbio nos dois lados da fronteira.
Guarde sempre todos os papéis e documentos recebidos, eles poderão ser solicitados depois. No México, por exemplo, o carro do motorista que pegamos na fronteira foi parado na rodovia e nossas mochilas revistadas por policiais que também nos solicitaram os documentos e passaporte. Depois de tudo conferido, seguimos a viagem.

Golpes comuns

Não sofremos nenhum, mas em nossas pesquisas pré-viagem lemos relatos de pessoas que pagaram taxas desnecessárias a policiais corruptos na fronteira entre México e Guatemala, algo que pode ocorrer nas demais também. Para se precaver, é válido se informar sobre os valores atualizados das taxas de entrada e saída dos países.

O câmbio deve ser outro ponto de preocupação, com tantas moedas diferentes é preciso ter atenção e se possível uma calculadora à mão para não ser enrolado nas trocas. Nas viagens de ônibus e táxi, procure deixar seus principais pertences com você. Relatos de pessoas que descobriram que tiveram suas bagagens roubadas do porta-malas não são tão incomuns pela América Latina.
Por último, pesquise bastante sobre o tour que pretende realizar. Fechar com a primeira opção sem saber o valor médio cobrado, na maioria das vezes, significa pagar um valor absurdo pelo o que é oferecido.

Violência urbana

Passamos por mais de 20 cidades durante a trip, nas mais turísticas nos sentimos super seguros, claro, aplicando os cuidados básicos necessários que qualquer turista deve ter no mundo, como cuidar dos pertences, não andar tão distraído e evitar andar por lugares mais desertos, principalmente à noite.

O único caso de violência urbana que presenciamos em toda viagem foi a briga de dois homens, que pareciam estar bêbados e até se divertindo, em um terminal de ônibus na Nicarágua.
Sobre as ‘maras’, a presença e os conflitos se concentram nos países do norte: Honduras, Guatemala e principalmente El Salvador, país que deixamos de fora do roteiro por conta do tempo. Mas nem mesmo pelo norte vimos algum sinal das gangues ou presenciamos algo estranho ou ameaçador.

Instabilidade política

Um tema recorrente na América do Sul, também se revela como um grande problema de alguns países da América Central. Em Honduras, por exemplo, no final de 2017, após nossa passagem por lá, surgiram diversos protestos, bloqueios de rodovias e repressões violentas pelo país devido ao polêmico resultado das eleições presidenciais, que foi acusada de fraude pela oposição e por organismos internacionais.
No ano passado, foi a vez da Nicarágua entrar numa crise política ocasionada pela tentativa de aprovação de uma polêmica reforma da previdência, o que também gerou protestos e repressões violentas nas principais cidades do país, resultando em dezenas de mortos.
Nos dois países, a pior parte da tensão já passou. Temos um amigo que mora na Nicarágua e outro realizando uma viagem pela América Central neste início de ano que afirmam que o clima já está mais pacífico, como estava em nosso mochilão.

Mas de todo modo, como para todo lugar do mundo, é importante acompanhar a situação do país antes de realizar sua viagem. Além dos noticiários, existe também o Portal Consular do Itamaraty , que publica diversas recomendações ao turista brasileiro sobre os países do mundo. Na versão britânica, existe o Gov.UK com informações bem mais atualizadas sobre os conflitos e demais preocupações estrangeiras. Para quem ainda não fala inglês, é só traduzir e se inteirar 😉

Dica final

Além das tradicionais e das já comentadas, uma dica valiosa é escolher bem o hostel que vai se hospedar, tanto por conta da localização quanto pelas importantes orientações dos staffs. Toda pesquisa que você possa fazer nunca substituirá uma informação atualizada oferecida por alguém que vive e trabalha por onde você está viajando.

O turismo pela América Central tem crescido bastante e foi possível encontrar hostels incríveis nas principais cidades, com preços a partir de R$30 a diária, sobretudo na Nicarágua, Guatemala e Honduras, países mais em conta do que Panamá e Costa Rica.

Vale a pena!

Seguindo todas as recomendações e precauções necessárias, vale muito, muito a pena conhecer esse estreito pedaço do nosso continente que, além do seu povo acolhedor, abriga vulcões magníficos, ruínas da misteriosa civilização maia e o famoso e apaixonante mar do Caribe.
Eu já quero voltar e você?

📚 Sobre o Autor 📚

Alluan é um dos idealizadores do projeto Caras do Mundo, um projeto digital e colaborativo que, através de multieditorias, tem a missão de abordar a cultura do Brasil e do mundo, impulsionando o conhecimento democrático, a troca de experiências e a valorização da diversidade. Você pode seguir as viagens dos três pelo site e Instagram.

Share The World!
INSTAGRAM
EMAIL
Facebook
Facebook
GOOGLE
GOOGLE
/blog/e-perigoso-viajar-para-a-america-central/?lang=pt-br
Youtube

Sobre o Autor

Laura Carniel

I'm Laura, Brazilian, and I'm obsessed with dogs, films, sharing good stories with friends and discovering quirky places. Social Media & Content Executive and #HostelworldInsider at Hostelworld. 🌏 Favourite place on earth: London, UK. 🏠 Favourite hostel: Oki Doki Hostel - Warsaw, Poland. Follow my travel adventures and loads of dogs on Instagram @astaclivo 🐶✈️

Inspire-se

2 Responses to “É perigoso viajar para a América Central?”

  1. Olá, estou planejando esse rolê final do ano com a minha companheira. Poderia me passar o roteiro? Gostaria de ver a quantidade de dias por cidade. Muito Obrigado

  2. Boa tardeT
    estou querendo ir a Panama, partindo direto para San Blas uns 5 dias, depois ir para Guatemala 20 dias. Vcs podem indicar hostels nas principais cidades, principalmente da Guatemala?

Deixe um comentário

Seu email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios. Campos obrigatórios são marcados com *

Aplicativos de Celular Hostelworld

Faça a reserva no caminho com os novos aplicativos móveis da Hostelworld.

Download on App Store Download on Play Store

Pesquise e reserve mais de 33.000 propriedades em 170 países, onde você estiver.