Como foi viajar de carro com meu cachorro pela Argentina

Como foi viajar de carro com meu cachorro pela Argentina

Desde que visitei a cordilheira pela primeira vez, me batia uma vontade de voltar pra lá com meu fiel companheiro Jimi, nosso samoieda. A ideia inicial era viajar sozinho com ele até a neve da cordilheira… Esse plano deu completamente errado e já já eu vou contar o porquê.

Bom, primeiro vamos começar falando sobre os trâmites necessários pra viajar no Mercosul com seu pet. Quando comecei a planejar a viagem, pensei que fosse simples, tipo levar o cão pro veterinário uma última vez, pegar algum atestado e pronto… mas não é bem assim. Existe uma pequena burocracia pra viajar com seu companheiro, tanto pra preservar a saúde do seu pet como das pessoas.

Basicamente, o que você precisa é do CVI (Certificado Veterinário Internacional). Para obtenção do certificado, você precisa de um atestado de um veterinário alegando que o seu pet está com todas as vacinas em dia. Nesse atestado deverão constar os seus dados, os dados do pet, as vacinas, vermífugo e antiparasitários tomados até no máximo quinze dias antes da viagem. Com o atestado em mãos, você encontrar algum Ministério da Agricultura (VIGIAGRO) que possa emitir o CVI. No meu caso, que sou de Chapecó (SC), a unidade mais próxima que emitiria pra mim seria na capital Florianópolis, ou nas cidades fronteiras com a Argentina. Optei por fazer em Uruguaiana (RS) que seria caminho pra trip.

PRONTO! Tudo certo para o Jimi ir junto, vacinas tomadas, atestado emitido, coleira com cinto de segurança comprada… Mas olha só… me preocupei tanto em deixar tudo certo pro Jimi, que não tinha percebido que minha CNH tinha vencido (…) Então, como eu não queria perder todos os trâmites do Jimi, e a Sara minha esposa estava disponível, nos organizamos e ela foi junto.

Então, pra não fazer como eu e se preocupar só com o seu pet, aí vai os documentos necessários pra dirigir pela Argentina:

Carteira Nacional de Habilitação (CNH)

Como a Argentina faz parte do Mercosul, não é necessário emitir o PID (permissão internacional para dirigir) mas para quem for para o Chile é necessário.

Seguro Carta Verde

É o seguro obrigatório contra terceiros, cobre eventuais danos a outras pessoas ou veículos, e não para o próprio carro. Pode ser contratado pelas seguradoras no Brasil.

Extintor, 2 triângulos de sinalização, cambão, kit de primeiros socorros.

Alguns desses itens não nos foram solicitados, mas para própria segurança é importante tê-los.

Transitar nas estradas com os faróis acesos o tempo todo;

Na Argentina, para veículos de grande porte (pick-ups, trailers, vans, micro-ônibus, etc) é necessário colar na traseira do veículo um adesivo da velocidade máxima permitida e adesivos luminosos de sinalização. No nosso caso, viajamos com uma Sportage, colamos o adesivo de 110km/h e um adesivo reflectivo. Esses Adesivos são encontrados em postos de gasolina ou lojas de autopeças na Argentina. É muito importante fazer esse procedimento logo na entrada do país.

Os carros não podem circular com engate para reboque na Argentina

Já viajamos com o engate e tomamos uma multa salgada uma vez.

Documentação do carro em dia

Se seu veículo não estiver quitado, será necessária uma autorização do banco ou entidade responsável pelo financiamento.

RG atualizado

Não é necessário passaporte!

ROTEIRO

Dia 1 e 2 – Federación

Já conhecíamos Federación de outra viagem, gostamos tanto da cidade que resolvemos passar por ela de novo, tanto que resolvemos ficar 2 dias dessa vez.

A cidade é uma delícia. Cercada pelo Rio Uruguai, é muito tranquila e repleta de verde. Parece um cenário de filme, com ruas circulares e casinhas muito charmosas sem cercado nenhum, perfeita pra quem quer relaxar. A cidade ainda conta com um parque termal que a gente não conheceu, mas ouviu falar muito bem.

Resolvemos ficar um dia a mais também por conta do Jimi, que ficou muito agitado durante a viagem. Já tínhamos feito viagens longas com ele e ele foi bem tranquilo, mas dessa vez ele ficou agitado e não conseguia descansar. Chegamos a falar com a nossa veterinária e ela nos autorizou a dar um Dramin pra ele, mas mesmo assim ele permaneceu ansioso. Por isso, quem for viajar com seu pet, além de se certificar que ele é tranquilo dentro do carro, precisa estar aberto à esse tipo de situação. Então além da gente parar a cada pouco pra dar uma corrida com ele, resolvemos ficar mais um dia em Federación pra ele aproveitar a bela cidade também.

Dia 3 – Córdoba

Saímos cedinho de Federación e chegamos por volta de 16h em Córdoba, como é uma cidade bem grande e bastante movimentada, fomos direto para nosso hostel. Ficamos no Aldea Hostel que é bem no centro da cidade e conta com uma estrutura bem legal, além de um ótimo ambiente. E claro, aceita pets e o Jimi logo fez amizades com todos os hóspedes e funcionários de lá.

Saímos dar uma volta pelo centro no pôr do sol e gostamos muito da cidade, diferente do estilo que estávamos buscando nessa viagem, mas pareceu um ótimo lugar pra conhecer mais a fundo. A noite jantamos ali pertinho e voltamos pro Hostel em tempo de pegar o campeonato de tênis de mesa que estava rolando. O ambiente é muito bom mesmo, recomendamos.

Dia 4 e 5 – Mendoza

No quarto dia chegamos ao nosso destino final. O Jimi já estava bem mais tranquilo e acostumado com a viagem. Fomos por Villa Dolores e o caminho é incrível, antes era só retas e sem nada além de estrada, agora começou a região montanhosa e muito bonita, é mais demorado esse caminho, mas vale a pena.

Chegamos na pousada bem cansados e já estava anoitecendo, então decidimos por descansar pra estar 100% no dia seguinte.

Na manhã seguinte saímos cedinho pra conhecermos as vinícolas. O Jimi ficou na pousada pois em vários passeios não daria pra levar ele, e além do mais, o pessoal da pousada adorou e ficou mimando ele lá até a gente voltar.

Fomos até o Vale de Uco, uma região linda com a maioria das vinícolas de Mendoza. Dirigimos olhando para as montanhas da Cordilheira até o Manzano Histórico, que aconselharam a gente a visitar. Mas chegamos lá e estava um tumulto, acho que teria um evento mais tarde e estavam preparando tudo. O local é bem bonito, com bosques e trilhas, museus e pracinhas de artesanato, mas não conseguimos aproveitar nada.

Voltamos pelo mesmo caminho, parando em algumas vinícolas, conhecemos e compramos alguns vinhos pra viagem. Como não tínhamos almoçado ainda, resolvemos conhecer a cidade de Mendoza. Como muitos haviam nos falado, a cidade é super organizada, cheia de praças e com muita arborização, um clima muito agradável.

Depois ainda fomos fazer a visitação na Bodega López. A vinícola fica dentro da cidade e é uma das bodegas mais tradicionais de Mendoza. Fizemos a visita e degustação gratuitamente e no final compramos vários vinhos por um ótimo preço.

Voltamos no final da tarde pra ver que o Jimi tinha se comportado muito bem!

No segundo dia, conhecemos a parte mais bonita da viagem pra mim, dessa vez com o Jimi. Dirigimos até pertinho da fronteira com o Chile. Passamos pelas Termas de Cacheuta e Potrerillos até chegarmos em Uspallata.

Não chegamos a conhecer as Termas de Cacheuta pois estávamos com o Jimi e estava completamente lotado de gente, as fotos que tínhamos visto mostravam uma região muito bonita com o rio que passava ali, mas nesse dia o rio estava praticamente seco, haha.

Seguimos viagem por um caminho que ficava cada vez mais bonito, e ficou espetacular quando chegamos em Potrerillos. Saímos de um túnel e demos de cara com um lago enorme cercado pelas montanhas. Coisa de cinema. Potrerillos é uma represa que utilizam pra acumular a água que escorre das montanhas no verão, quando a neve derrete. Assim eles conseguem distribuir melhor a água ao longo do ano, já que dificilmente chove por lá.

Dirigimos um bom tempo com o lago ao nosso lado, que depois foi substituído por montanhas e mais montanhas, até chegarmos em Uspallata, que é uma cidadezinha coisa mais linda cercada pelos Andes.

Aí que na nossa cabeça, estaria tudo branco de tanta neve, maaaas a neve não veio dessa vez. Zero. Nada. Hahaha

Fui em busca de informações pra saber se mais perto da fronteira teria neve, todo mundo disse que não. A ideia era levar o Jimi pra conhecer a neve, mas não foi dessa vez. Fica pra próxima.

Almoçamos por lá e ficamos um tempo curtindo a cidade, até chegar a hora de voltar. Voltamos pelo mesmo caminho e aproveitamos pra curtir um pouco mais Potrerillos, onde já tinha um bom pessoal estacionado ao redor do lago pra aproveitar a tarde.

Novamente jantamos na pousada e aproveitamos pra descansar bem, pois no dia seguinte começaríamos a nossa volta e viria mais um bom trecho de estrada pela frente.

Dia 6 e 7 – Voltando pra casa

Como saímos beeem cedinho, resolvemos voltar por Río Cuarto, que seria mais rápido.

Dirigimos quase 1.000km até Paraná por um caminho sem muita coisa pra ver e bem cansativo. Chegamos no nosso hostel quando já tinha anoitecido, e não deu pra fazer muita coisa a não ser descansar.
No dia seguinte saímos novamente às 5 horas da manhã pra dirigirmos mais de 1.000km até Riqueza – SC.

Dicas gerais

– Verifique todas as exigências de trânsito da Argentina antes da viagem, por sorte levamos um kit com tudo o que precisa (cambão, triângulos, extintor…) e não tivemos problemas, mas principalmente na província de Entre Rios, a polícia é bem chatinha e sempre procura algo pra tirar uma graninha do brasileiro.

– Comece a ir atrás da documentação de seu pet com um bom tempo de antecedência, algumas vacinas precisam de mais de uma dose, com intervalo de dias entre elas.

– Faça viagens “teste” com seu pet antes de uma trip muito longa assim. A gente fez isso e mesmo assim vimos que não foi 100% confortável pro Jimi no começo. E lembre-se de deixar ele sempre com a guia no cinto de segurança, ou na caixa de transporte, dependendo do pet.

– E claro, lembre-se que é outro tipo de viagem. Certifique-se dos lugares que quer visitar antes de ir, não da pra levar ele junto só pra ficar no carro. 🙂

Aqui, como de praxe, temos um videozinho com alguns momentos da viagem:

📚 Sobre os viajantes 📚

Somos Eduardo Ely e Sara Heffel, catarinenses de Chapecó, apaixonados por viagens de carro, estamos sempre planejando nossa próxima trip. Viver novas experiências, conhecer novas pessoas e culturas e enfrentar o desconhecido nos motivam a seguir em frente. Eduardo, é designer e ilustrador, e a Sara é fotógrafa. Somos freelancers e trabalhamos em casa.

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Sobre o Autor

Laura Carniel

I'm Laura, Brazilian, and I'm obsessed with dogs, films, sharing good stories with friends and discovering quirky places. Social Media & Content Executive and #HostelworldInsider at Hostelworld. 🌏 Favourite place on earth: London, UK. 🏠 Favourite hostel: Oki Doki Hostel - Warsaw, Poland. Follow my travel adventures and loads of dogs on Instagram @astaclivo 🐶✈️

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