Como é andar na Estrada da Morte

Como é andar na Estrada da Morte

O passeio de aventura mais famoso da Bolívia é sem dúvida o downhill em bicicleta desde La Paz a Coroico – no início da amazônia boliviana. O título de estrada mais perigosa do mundo não é à toa: os 64 quilômetros são cheios de curvas e beirando precipícios de até 600 metros de profundidade – sem barreira de segurança. Apesar de ser uma via de mão dupla, tem espaço (apertado) para um carro apenas: nos pontos mais estreitos a estrada tem um metro e meio (!) de largura.

Os tours saem por volta das sete da manhã de La Paz, em uma van com as mountain bikes no teto. Chegando em La Cumbre, a 4650 metros de altitude, o guia organiza um café da manhã, dá dicas de segurança, todos colocam o equipamento e montam nas bikes. Desse ponto em em diante são quatro horas só ladeira abaixo.

Início do passeio, em La Cumbre. Foto

O caminho é todo em descida, com algumas partes tão íngremes que facilmente se chega aos 50km/h. A má notícia (que você já sabe) é que qualquer deslize em uma estrada estreita com um abismo ao lado pode ser fatal, mas a boa notícia é que o percurso não é cansativo: pode ser feito por viajantes com distintas condições físicas.

Os primeiros 30 quilômetros do são asfaltados e a estrada é relativamente larga: serve para ir testando a bike e ganhando confiança. Na segunda metade do percurso o ciclista entende porque o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) concedeu em 1995 a essa via – oficialmente chamada Camino a los Yungas – o famoso título de “estrada mais perigosa do mundo”.

O descenso de 1.300 metros em relação ao nível do mar traz mudanças notáveis na temperatura e na paisagem. No início do passeio há neve em muitas partes e o vento é tão frio que deixa os dedos e orelhas congelando. Esse cenário pouco a pouco é substituído por uma selva abundante, a neblina diminui e a temperatura sobe. Além da segurança, um outro motivo para não descer tão rápido são as paisagens exuberantes: montanhas nevadas, vales profundos, rios e cachoeiras. Só não esqueça de manter a atenção na estrada!

Outra “paisagem” que atrai os aventureiros são as carcaças de carros e ônibus espatifados no fundo dos precipícios. No final do século XX, ocorriam cerca de 300 mortes por ano na estrada, e muitas cruzes foram colocadas pelo caminho para lembrar os falecidos. A pior tragédia ocorreu na década de 80, quando um ônibus lotado despencou no vale e resultou na morte de quase cem pessoas.

No final do downhill todos chegam – sãos e salvos – a Yolosa, um povoado da cidade de Coroico. Um almoço, simples porém saboroso, espera os aventureiros, em um restaurante com piscina. Uma cerveja gelada pode ser comprada à parte e um brinde é tradição entre os ciclistas. Depois da overdose de adrenalina, é a melhor maneira de relaxar.

No fim da tarde, a van regressa a La Paz. São três horas de viagem pela nova – e mais segura – estrada que liga Coroico  à capital boliviana. O tour chega por volta das 20h e na maioria das agências é possível gravar as fotos que foram tiradas durante o passeio – geralmente por um dos guias, mas às vezes há um fotógrafo na equipe – em um pen drive seu sem nenhum custo adicional.

Como escolher uma boa agência

Por mais absurdo que pareça, é um passeio seguro se feito com uma agência responsável e seguindo as orientações dos guias durante a descida em mountain bike. Antes de contratar o tour, busque indicações de empresas na internet e com conhecidos que já fizeram o percurso.

É essencial que os guias sejam bem treinados em resgate e primeiro socorros e que a agência entregue bons equipamentos.

Não é qualquer bicicletinha que desce a Estrada da Morte com segurança, tem que ser uma mountain bike em excelente estado, com freios hidráulicos e rodas reforçadas. Um bom equipamento de proteção pessoal faz toda a diferença no caso de um acidente: capacete, macacão, luvas, cotoveleiras e joelheiras.

O tour deve contar com, no mínimo, três profissionais: o motorista (a van acompanha os ciclistas em todo o percurso), um guia de bicicleta à frente do grupo e um atrás.

Quanto custa a aventura?

O tour custa entre 350 e 900 bolivianos (R$ 190 a 480), dependendo da empresa e se a bicicleta tem suspensão simples ou dupla. Ainda que esse não seja um passeio exatamente econômico, não escolha pelo preço. Tours muito baratos em geral significam bicicletas de baixa qualidade, com pouca manutenção e guias despreparados. Para economizar, não compre o tour com antecipação pela internet (contrate diretamente em La Paz) e peça aquele descontinho amigo na agência. No mais, a Bolívia é um país barato, tire o escorpião do bolso uma vez na sua viagem e pague uma agência com uma boa reputação.

Para quem falta destreza sobre duas rodas – ou coragem – é possível fazer o passeio inteiro na van de apoio (que percorre o mesmo caminho da bicicleta durante todo o tour). Inclusive essa opção é mais barata – já que não ocupa uma bike e os equipamentos de segurança – e custa a partir de 200 bolivianos (R$ 110).

Onde se hospedar em La Paz

Durante a minha viagem de 42 dias pela Bolívia, passei uma semana no Adventure Brew Hostel. Um aspecto decisivo na minha escolha foi a excelente localização do hostel, em uma área central e segura durante dia e noite – eu estava viajando sozinha. Os quartos e os banheiros são limpos, as camas tem lockers e lâmpadas individuais. O staff é atencioso e o Adventure Brew dá de cortesia uma cerveja artesanal – produzidas no próprio hostel – por dia. Somente a internet que deixou a desejar (mas na Bolívia, em geral, a conexão é instável) e o café da manhã que era um pouco básico.

O Wild Rover é o party hostel mais popular de La Paz, seguramente você vai encontrar nos passeios alguém (provavelmente de ressaca) que está hospedado lá. Com avaliação 9,2 e um precinho mochileiro, é um excelente custo-benefício. Para quem quer sossego, o Incas Room é o alojamento mais bem avaliado da cidade e oferece apenas quartos privados.

📚 Sobre a Autora 📚

Mila de Oliveira é jornalista, adora viajar lento e escrever. Acredita que viajar é uma atitude libertadora para as mulheres e por isso compartilha seus rolês como solo traveller no blog Saia Pelo Mundo e no Instagram @saiapelomundo.

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Sobre o Autor

Laura Carniel

I'm Laura, Brazilian, and I'm obsessed with dogs, films, sharing good stories with friends and discovering quirky places. Social Media & Content Executive and #HostelworldInsider at Hostelworld. 🌏 Favourite place on earth: London, UK. 🏠 Favourite hostel: Oki Doki Hostel - Warsaw, Poland. Follow my travel adventures and loads of dogs on Instagram @astaclivo 🐶✈️

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